JF Diório
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Gil e Caetano lançam turnê em CDs e DVD históricos

As duas apresentações gravadas em São Paulo mostram as proximidades e diferenças de dois pilares do cancioneiro do País

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2015 | 04h00

Gilberto Gil e Caetano Veloso deflagraram um ato para marcar a história da passagem dos dois pela música brasileira. Uma temporada de shows pelo mundo que pode ser lida de várias formas. Uma contraposição das linguagens dos dois baianos que libertaram o violão brasileiro para qualquer possibilidade e sedimentaram a era da canção pós-João Gilberto sobre as seis cordas. Um encontro de dimensões que não vai acontecer de novo.

Os shows viraram agora um produto comercial com valor de documento. Dois Amigos – Um Século de Música foi gravado durante a passagem da turnê por São Paulo, dias 22 e 23 de agosto, no Citibank Hall. O projeto traz dois CDs e um DVD que reúnem 28 músicas.

Logo depois de cantarem De Manhã, Caetano explica duas pontas importantes do projeto. De Manhã seria a primeira canção gravada de sua autoria, criada “em 1964, no máximo em 1965”. “É a mais velha das composições feitas por mim ou por Gil que estamos mostrando neste show”, diz Caetano. E a seguinte no repertório, As Camélias do Quilombo do Leblon, a mais nova. “Nós fizemos para cantar neste show de volta ao Brasil”, contou, referindo-se ao retorno da turnê. 

As diferenças vão se impondo, em um exercício divertido de comparação construtiva. Quem fala mais alto em Caetano é a voz. Ela ainda conserva o brilho e o alcance e preserva as afinações com certo rigor. Um bloco com Sampa, Terra, Nine Out Of Ten, Odeio e Tonada de Luna Llena (de Símon Díaz) vai mostrando isso. Seu violão é correto, frágil, harmônico. Gil o acompanha mais silencioso, aguardando a vez.

Ela chega com Eu Vim da Bahia, que os dois fazem juntos. Gil, da escola de Luiz Gonzaga (que se uniria mais tarde a João Gilberto e a Dorival Caymmi como alicerce), tem um violão com ideias mais percussivas. Sua voz não chega mais a grandes alturas, mas sua musicalidade é avassaladora. Eles dividem Super Homem A Canção, Caetano começa cantando depois Come Prima e a entrega a Gil. As maiores experiências com Gil acontecem em Esotérico, Drão e na dramática Não Tenho Medo da Morte. Mais para o fim, vem o set festeiro, de Expresso 2222, Toda Menina Baiana, São João Xangô Menino, Avisa Lá, Andar com Fé e Filhos de Gandhi. Domingo no Parque e A Luz de Tieta fecham o espetáculo.

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