Rosana Naggar
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Germano Mathias ganha tributo memorável criado por Manu Lafer

Sambista de 87 anos, em ação desde 1955, tem obra revista no álbum '#PartiuZePelintra – Tributo a Germano Mathias', com convidados como Gilberto Gil, Luiz Carlini, Fafá de Belém e Irene Atienza

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2021 | 05h00

O compositor, cantor e produtor musical Manu Lafer acaba de assinar um tributo grandioso ao sambista Germano Mathias. O álbum #PartiuZePelintra – Tributo a Germano Mathias traz muitos nomes de várias gerações da música brasileira cantando 16 músicas e terá na noite deste domingo, 20, uma live para marcar seu lançamento. A transmissão será no YouTube de Manu Lafer, às 19 h. Os artistas que vão participar são o violonista e arranjador das músicas do álbum, Swami Jr, e mais Milton Mori, Douglas Alonso e Ubaldo Versolato, além de duas participações especiais: Graça Braça e, claro, do próprio Germano Mathias.

A lista de músicas do álbum é longa, mas vale ser colocada com seus respectivos intérpretes para dar uma dimensão da força desse artista que atua desde 1955, uma das carreiras mais longevas da história da MPB: Malandro de Araque (de Rafael Gentil e F.M. Cabral, com Germano Mathias); Bacharel de Gafieira (de Conde, com Fafá de Belém); Amigo de Garfo (de Manu Lafer, com Gilberto e Bem Gil); Serra da Coirana (de Onildo Almeida e Déo do Baião, com Zeca Baleiro, Anastácia, Neymar Dias e Luiz Carlini); Metamorfose (de Germano Mathias, com Fabiana Cozza); Requebrado Diferente (de Jorge Costa e Luiz Wanderley, com Mateus Aleluia); Barra Pesada (de Padeirinho e Moacyr da Mangueira, com Mariana Bernardes); Porto Rico (de Caco Velho e Heitor de Barros, com Germano Mathias, Manu Lafer e Irene Atienza); Lata de Graxa (de Mário Vieira e Geraldo Blota, com Maucha Adnet); Os Vidrados / Samba Explícito (de Germano Mathias, com Carlinhos Vergueiro e Chico Médico); Nega Dina (de Zé Keti, com Graça Braga); Não Tenho Sorte (Tóbis, com Ná Ozzetti e Luiz Tatit); Regenerado (de Zé Keti, com Leila Pinheiro); Seu Cochilo (de Germano Mathias, com Zélia Duncan); Eu vou te pegar (de Manu Lafer, com Verônica Ferriani, Luiz Carlini e Toninho Ferragutti); e Malandro Não Vacila (de Germano Mathias, com Germano, Zeca Baleiro e Manu Lafer).

Esse arraso de convidados não deixa de ser uma demonstração de força que prova o quanto Germano fez e ainda, aos 87 anos, faz pelo samba. Manu fala com propriedade de alguém que conheceu por meio de Gilberto Gil: “Ele é descrito como um sambista de São Paulo e da malandragem, e é realmente um símbolo. Mas sua longevidade é incrível, está desde 55 na ativa e é uma referência aos outros artistas longevos. Germano representa também a música que veio antes dele”.

Segundo o produtor do projeto, o nome do sambista foi abrindo as portas para a chegada dos artistas. “Germano, musicalmente, parece que está cada vez mais jovem. É uma pessoa positiva, alegre e que vive da mesma forma que vivia quando o conheci, em meados dos anos de 1990. Nunca reclamou, como se merecesse mais do que tem.” 

Germano vive em um humilde conjunto habitacional do bairro de Parada de Taipas, na zona noroeste de São Paulo. Manu tem lembranças da generosidade do amigo sambista com vizinhos: “Eu fui passar um Natal com ele há alguns anos e não o encontrei em casa. Mesmo vivendo em condições humildes, ele estava na casa de um vizinho para ajudá-lo, dar um trocado.”

De volta ao álbum, Manu fala de como o repertório foi se formando. “Daria para fazer mais 10 discos como esse chamando convidados dos mais diferentes.” Germano, segundo Manu, tem mais de 200 músicas gravadas. “Sobre um de seus sucessos, Lata de Graxa, pedi para Maucha Adnet gravar, uma voz muito especial que as pessoas não conhecem.” Bacharel de Gafieira foi passada para Fafá de Belém sem mudar o eu lírico masculino dos versos. “Germano se incomodou com o fato das cantoras cantarem como se fossem homens. Mas eu gostei, ninguém vai reclamar de que algumas letras possam ser machistas.”

Um outro destaque do longo repertório é a inusual forma de Porto Rico, um samba latino fora do estilo dos sambistas. “Eu gosto muito. Insisti e convidamos a Irene Atienza para cantá-la.” Irene é uma cantora singular espanhola, nascida na cidade de Santander, que tem uma bela carreira iniciada no Brasil. 

Outros convidados têm estreitas relações com Manu Lafer. Luiz Tatit, como ele conta, é seu mestre. “Ele foi o meu professor.” Ná Ozzetti, que aparece com Tatit em Não Tenho Sorte, também deu aulas ao violonista e o incentivou a cantar. “Sempre que posso eu a chamo para meus projetos.” Aliás, como ele diz, esse não deixa de ser também um projeto de resistência gravado em um período em que poucos se arriscavam: “Estávamos no meio da pandemia e todo mundo foi muito generoso. Gravações de Nova York, Rio, Bahia, São Paulo, foi lindo”.

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