Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

George Benson lança o álbum 'The Ultimate Collection'

Cantor e expoente do smooth jazz faz balanço da carreira

Entrevista com

George Benson

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2015 | 03h00

Aos 72 anos, George Benson já ganhou 10 prêmios Grammy e a distinção National Endowment of the Arts Jazz Master. A consagração não impede que ele siga sendo uma referência do chamado “smooth jazz”, e não só dele. Seu pop e seu soul, condimentados em hits atemporais como This Masquerade, On Broadway, Turn Your Love Around e Give Me the Night, ganharam as plateias de, pelo menos, três gerações (o primeiro disco dele, The New Boss Guitar, foi gravado em 1964).

Essa semana, chega às lojas um balanço dessa trajetória, a coletânea The Ultimate Collection (Warner Music), com 35 hits do cantor e guitarrista. Para conversar a respeito do disco, ele falou ao Estado por telefone. E começou explicando uma penosa ausência na lista de canções: Dinorah, Dinorah, de Ivan Lins, do disco Give Me the Night (1980, obra-prima produzida por Quincy Jones). “Acho que foi um erro não terem incluído essa canção, porque ela tem muito significado para mim. Ela me conecta diretamente com o Brasil. Acho que a razão pela qual não a incluíram é que ela não foi assim tão popular, nem mesmo no Brasil. Vamos tentar incluir Dinorah numa nova coletânea”, prometeu Benson.

Muitos críticos dizem que o pico criativo de George Benson se deu nos anos 1970 e 1980, quando ele lançou álbuns como Breezin’, Tenderly e Weekend in L.A. “Acho que o rádio é a explicação. No início, o smooth jazz era popular apenas nos Estados Unidos. Levou uns 10 ou 12 anos para o smooth jazz se tornar popular ao redor do mundo. Mas, na América, meus discos eram muito populares, especialmente os de smooth jazz. Fiz muito trabalhos instrumentais por alguns anos, e só quando comecei a cantar é que me internacionalizei mais. As pessoas nos Estados Unidos me queriam tocando guitarra, e foi o que eu fiz”, ele conta.

 

Criança prodígio que se iniciou na música com apenas 7 anos, ele diz que esse começo não foi um elemento facilitador. “Houve muita admiração, porque eu gravei meu primeiro disco quando eu tinha 10 anos. Era uma coisa insólita. Mas foi difícil, porque eu era uma criança em idade escolar, e, para ter uma carreira, você precisa sair, tocar. Meus pais me tiraram do mundo musical por alguns anos, e só voltei quando era um adolescente. E voltei com uma orientação mais instrumental, mais para a guitarra do que para cantor”, conta. “Com 19 anos, deixei minha cidade natal para seguir estrada com um homem chamado Jack McDuff, um dos maiores organistas dos Estados Unidos. Então, durante anos, não fiz nada além de tocar guitarra, nada de cantar. Aquilo realmente ajudou minha carreira de guitarra, e muita gente só me conhecia como guitarrista, não como cantor.”

Segundo George Benson, sua primeira influência foi Charlie Christian (1916-1942), que tocava guitarra no sexteto de Benny Goodman. “Naquela época, Benny Goodman se tornou o Rei do Swing. Mas, mais tarde, descobri Django Reinhardt, e me dediquei a estudar a carreira dele. Foi quando me dei conta de quão incrível ele foi, e ele ofuscou mesmo Charlie Christian aos meus ouvidos. Django era tão incomum, tinha ideias tão brilhantes, originais, e sua técnica era impecável. Me tornei fã.”

Guitarrista, cantor, compositor, produtor, dominando jazz, soul, pop, R&B, ele diz que é no show que se realiza. “É o que me dá a maior satisfação. Quando eu toco na frente de uma plateia, é o George Benson, é o homem se colocando à prova. Eu gosto de fazer discos, mas amo mesmo é mostrar às pessoas o que eu faço, descobrir novas coisas para fazer. O trabalho no estúdio, muitas vezes, é chato. No palco, nunca é chato, é sempre um desafio.”

George Benson curte o R&B atual, não tem nenhuma restrição. “É algo mais popular, mas a vida está em movimento. E a gente tem de se mexer com ela, ou a gente morre. Adoro Rihanna, Beyoncé, John Legend e mais um monte de gente. As harmonias são um pouco mais diferentes, as letras são diferentes. É claro que eu gosto do antigo R&B, porque fiz minha reputação crescendo com ele.”

O cantor falou também de sua autobiografia, publicada no ano passado (escrita por Alan Goldsher). “As pessoas ao redor do mundo me perguntam coisas. Eu pensei: por que não dizer tudo num livro? Muitos esperavam um livro cheio de malvadezas. “C’mon, você tem de falar mal dos seus amigos, e daí o livro vai vender um montão!’. Eu disse: ‘Não, não vou falar mal dos meus amigos só para vender livros’. Meu editor me disse: vá em frente, e durante 9 anos. É simples, não é cheio de detalhes chatos, as pessoas vão entender como minha vida se conecta com minha música.

Ele acaba de lançar um tributo a Nat King Cole. Colaborou com Al Jarreau e outros, mas não esquece um velho parceiro: Ivan Lins. “É um grande compositor, grande músico e adoro as harmonias dele. Sempre nos divertimos fazendo música juntos.”

RECOMENDADOS

Give Me the Night (1980)

Disco mais clássico do artista, foi produzido por Quincy Jones e é um manancial de hits

Tenderly (1989) 

Ao lado de gigantes do jazz, como o pianista McCoy Tyner e o baixista Ron Carter, Benson legou outra obra fundamental

Breezin’ (1976)

De posse de uma canção do genial Bobby Womack (Breezin’), e outra de Jose Feliciano (So This is Love?), Benson explora com maestria sua versatilidade e domínio dos grooves

Weekend in L.A. (1978)

Discaço ao vivo, com composições próprias e outras de gênios como Stevie Wonder (We All Remember Wes)

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