Genealogia de sucesso: Eagle Cherry lança novo CD

A Eagle Eye Cherry se aplica a máxima surrada: filho de peixe, peixinho é. O cantor é filho do trompetista Don Cherry, um dos criadores do free jazz, e meio-irmão da cantora Neneh Cherry, uma das mais inspiradas do pop contemporâneo. Filiação à parte, o músico sueco tem estabelecido uma carreira musical expressiva dentro do show biz internacional.Seu primeiro disco, Desireless (1998), ganhou três prêmios Grammys e dois Rockbjörnens (troféu da música sueca) . Foram 4 milhões de cópias vendidas entre Europa, Reino Unido e Estados Unidos impulsionadas pela música Save Tonight. Um resultado assustador para um disco produzido durante os intervalos de gravação do seriado de TV Cosby Show, no qual Eagle atuava com ator. "Minha esperança era que o álbum vendesse o suficiente para que eu tivesse a chance de fazer outro", lembra ele em entrevista por telefone à reportagem, diretamente da suíte do Corso Como Hotel, em Milão, na Itália. "Vou apresentar-me em alguns programas de TV e no Pilu Festival", conta.O lançamento do novo trabalho Living in the Present Future (Universal) é a razão da temporada italiana. O título remete ao que Eagle pensava a respeito do futuro quando era criança. "Eu fantasiava muitas coisas ao pensar no novo milênio e quando percebi que já estávamos vivendo o futuro acabei escrevendo uma canção sobre isso", prossegue. "É uma explicação boba, mas, de qualquer forma, gostei muito do título". Gostou tanto que a composição ficou de fora do CD. "Havia outras bem melhores", reconhece.Been here once before abre o disco com refrão pegajoso e irresistível - no que o termo tem de melhor e pior. Are You Still Having Fun, que já começa a tocar bastante na MTV, aposta no punch rock que até então não aparecia nas composições do músico. Seguida pela bela e bluseira One God Reason, difícil não lembrar da melancolia de Ben Harper. O clima campestre orquestral de Promises Made remete a Nick Drake e Donovan. O rock volta em menor intensidade em Burning Up para dar lugar ao groove insinuante de Together.Long Way Around é o encontro tão esperado entre Eagle e Neneh Cherry. "Ela é uma pessoa incrível e, como o meu pai, tem um grande respeito pela música". As baladas Lonely Days (Miles Away) e First to Fall transitam entre amores desfeitos, solos de guitarra e teclados Moog. É Eagle, de certa forma, soturno. O astral melhora em Miss Fortune e permanece na acústica She Didn´t Believe e na bluesy Shades of Gray."Living in the Present Future é um disco de tecnologia barata", define Eagle. Ele conta que metade das músicas (as mais roqueiras) do disco foi gravada em Nova York, no Magic Shop Studio, sob os cuidados do produtor Rick Rubin, fundador da gravadora Def Jam e com Beastie Boys, Red Hot Chili Peppers, The Cult e Slayer no currículo de produção. "Rubin tem idéias geniais, além de ser uma figura muito marcante".O restante das músicas foi gravado por Adam Kviman e Klas Ahlund no Decibel Studio, em Estocombo, o mesmo onde em 1972 Don Cherry concebeu um de seus antológicos discos. "Trabalhar com pessoas diferentes e em lugares diferentes é simplesmente fantástico".Na sexta-feira, Eagle apresentará as músicas do novo álbum no Glastonbury Festival, em Londres. Porém espera, ansiosamente, voltar ao Brasil. O músico foi uma das atrações da edição de 1999 do Free Jazz Festival. O show teve a participação especial do percussionista Naná Vasconcelos, um velho parceiro de Don Cherry."Quero muito voltar ao Brasil e tocar novamente com Naná, ele era um grande amigo de papai", diz Eagle que nasceu durante uma turnê do pai. Ao chegar em casa e ver o filho que abria, com dificuldade, um dos olhos, exclamou: "O garoto tem olho de águia".

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