Garotas rebeldes dominam a cena do Sonarsound

Manifesto da cultura eletrônica, as alemãs do Chicks on Speed agitaram o palco principal do Sonarsound SP, na noite de sexta-feira. O trio de riot girls em rota de choque contra os estatutos do rock masculino, o trinômio guitarra-baixo-bateria, dá um pouco o tom do que tem sido o festival, mesmo que sua insurgência não vá muito além do que fazem papisas do pop como Madonna e Britney Spears."América, isso não existe mais", festejam as garotas do Chicks on Speed, mas a sua bandeira política é apenas cosmética. Não há estranhamento no seu som, não há rebeldia formal, apenas questões de superfície. No final, houve mais ética do que estética em discussão no Sonarsound (à exceção do inglês Matthew Herbert, que discute tudo, com avanços formais). O "novo", por assim dizer, é de novo a música negra americana, realimentando o ciclo do pop, música que veio a São Paulo no encalço do produtor Beans, atração num horário ingrato no festival (no Hall Stage, ainda de tardinha). O tecno, de Ricardo Villalobos e Jeff Mills, tornou-se um clássico, como o jazz, e demonstra pouca mobilidade no mundo da música eletrônica. Mainstream, acomodou-se em torno de nomes consagrados e numa performance mais muscular do que inventiva. O Sonarsound, instalado em espaços conhecidos (Credicard Hall e Instituto Tomie Ohtake), foi ordeiro na organização, mas talvez pedisse locações menos caretas. O slogan do festival, "você vai sair melhor do que entrou", ainda não se concretizou nessa edição.

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