Gala ao ar livre abre hoje o Festival Amazonas

Vinte e sete cantores líricos de todo o País vão se unir à Amazonas Filarmônica na noite de hoje para, no Largo São Sebastião, no centro de Manaus, dar início à 10.ª edição do Festival Amazonas de Ópera. O evento surgiu nos anos 90 como conseqüência da restauração do Teatro Amazonas, uma das jóias do auge do ciclo da borracha, no século 19. De acontecimento inusitado, a ópera na selva se consolidou como um celeiro de boas produções e artistas. E vai comemorar seus dez anos com seis novas montagens de óperas de Verdi, Rossini, Massenet, Carlos Gomes, Puccini e Ponchielli. O palco do concerto de hoje é a praça em frente do Teatro Amazonas, onde anualmente se produz ópera ao ar livre. Para este ano, optou-se por uma gala lírica de enormes proporções, com trechos de quase 19 óperas, algumas delas parte da história do festival. Os maestros Luiz Fernando Malheiro e Marcelo De Jesus se revezam à frente da Amazonas Filarmônica, acompanhando um timaço de solistas, que inclui as cantoras Eiko Senda, Eliane Coelho, Celine Imbert, Denise de Freitas, Luciana Bueno, os tenores Dennis O´Neill e Paulo Mandarino, o barítono Genaro Sulvaran, os baixos José Gallisa e Peppes do Vale. A programação preparada para este ano segue de perto o credo dos anos anteriores. A ênfase é nos cantores brasileiros, dando a eles a oportunidade de encarar algumas das pedras de toque do repertório internacional. E isso se soma ao incentivo à mão-de-obra local, seja na confecção de cenários, figurinos, ou mesmo com oficinas que, no final das contas, pretendem formar cantores locais - este ano, dentro da série Ópera Estúdio, eles interpretam Gianni Schicchi, de Puccini, com récitas no Largo São Sebastião e, em uma segunda etapa, no interior do Amazonas. Já no palco do Teatro Amazonas, o festival oferece duas dobradinhas interessantes. Nesta primeira semana, revezam-se no palco duas versões operísticas para o Otello de Shakespeare, as de Verdi e Rossini. São duas visões bastante distintas, seja na recriação do texto original, seja nas escolhas de vozes ou no próprio caráter da música. Na de Verdi, a primeira a estrear (domingo), o papel-título será interpretado pelo tenor Dennis O´Neill; Eiko Senda será Desdêmona; e Genaro Sulvaran, Iago (regência de Malheiro). Em Rossini, Paulo Mandarino canta Otello, Gabriella Pacce é Desdêmona e Sérgio Weintraub é Iago (o elenco, regido por Marcelo De Jesus, tem ainda Pepes do Valle e Luciana Bueno, entre outros). O ponto de união entre as duas montagens está na direção cênica de Marcelo Lombardero, nos cenários de Diego Silliano, nos figurinos de Luciana Gutman e na iluminação de Horacio Efrom. Para a segunda etapa do festival, está planejada outra tentativa de aproximação entre duas obras, a Fosca, de Carlos Gomes, e La Gioconda, de Ponchielli - musicalmente, as duas são precursoras do estilo chamado de verismo. Aqui, há duas estréias importantes: Celine Imbert canta sua primeira Fosca; e Eliane Coelho, sua primeira Gioconda. Os elencos são complementados por nomes como José Gallisa, Juremir Vieira (Fosca) e Regina Elena Mesquita, Francisco Casanova, Denise de Freitas, Genaro Sulvaran e Luiz-Ottavio Faria (Gioconda). Os cenários são de Marcos Flaksmann, os figurinos, de Adan Martinez. Na Fosca, o mago da iluminação de óperas Caetano Villela dá mais um importante passo em sua carreira como diretor cênico. Já na Gioconda, a direção é de Alejandro Chacon. No início de maio, Malheiro rege também uma versão em concerto do Werther, de Massenet, com Denise de Freitas fazendo sua estréia como Charlotte. Em um ano que parece mesmo das mulheres, está previsto também, para a semana que vem, um recital com a soprano chilena Cristina Gallardo-Domas.

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