Gal Costa se apresenta no Citibank Hall

Quando passou pelo Rio com o show Hoje, que fica de sábado a domingo no Citibank Hall, em São Paulo, a certa altura Gal Costa comentou que o público estava muito contido e perguntou: "Ou será que o show é sério?" Parte da platéia respondeu afirmativamente. Mas não estaria o público, acomodado no vício de ouvir o óbvio que já assimilou, estranhando a parte do repertório novo? "O disco Hoje é muito admirado pelo público, portanto acho que todos gostaram e reconheceram as canções", rebate a cantora. "O show não é sério, é muito bonito e prazeroso fazê-lo. Musicalmente tem um nível altíssimo. Tem uma qualidade musical que não fica nada a dever ao disco." Com Hoje (2005), o primeiro CD pela gravadora Trama, Gal voltou a cair nas graças da crítica, que há muito vinha cobrando atitudes renovadoras por parte da cantora. Nas 14 faixas predominam canções (inéditas ou quase) de autores que ela nunca tinha interpretado - como Junio Barreto, Péri, Nuno Ramos, Moisés Santana. O que encontrou de mais interessante na nova safra de compositores? "Boas composições, bom gosto e simplicidade." Juntam-se a eles os familiares Caetano Veloso e Chico Buarque, que também a presentearam com canções exclusivas. Na escolha do repertório ela contou com a ajuda de Carlos Rennó, letrista de duas parcerias com o africano Lokua Kanza, presentes no CD. Do repertório antigo, ela incluiu no roteiro do show duas jóias do histórico show Fa-tal - Gal a Todo Vapor (1972): Antonico (Ismael Silva) e Fruta Gogóia (folclore baiano). Ainda tem Cazuza e Frejat (Todo Amor Que Houver Nesta Vida), Roberto e Erasmo Carlos (Meu Nome É Gal) e o standard americano As Time Goes by, do repertório de Chet Baker, próximo projeto de CD da cantora. Também não falta o habitual Tom Jobim, de quem escolheu Sem Você. "Tom tem tudo a ver comigo. Sou filha da bossa nova e a mais fiel representante do canto moderno joão-gilbertiano", frisa. São canções que, segundo Gal, "têm a ver com o clima" de Hoje, ou seja, além de serem "atuais e lindas" evoluem no mesmo padrão de arranjos concebidos por César Camargo Mariano para o CD. No palco ela conta com a supervisão do filho do arranjador, Marcelo Mariano nesse segmento. Os músicos que a acompanham são Keko Brandão (piano e teclados), Marcos Teixeira (guitarra e violões), Marcelo Mariano (baixo e coordenação musical), Jakaré (percussão), Jurim Moreira (bateria), Ed Flash, Ricardo e Julio (vocais). Gal, que já foi dirigida por Gerald Thomas e Bia Lessa - respectivamente em O Sorriso do Gato de Alice (1994) e Todas as Coisas e Eu (2003), shows que despertaram críticas controvertidas -, desta vez escolheu um profissional da música para a função. Trata-se do compositor, produtor e poeta Bernardo Vilhena, parceiro de Ritchie (Menina Veneno) e Lobão (Vida Louca Vida). Segundo Vilhena, a idéia é "deixar que brilhe acima de tudo a voz de Gal". Livre dos excessos de Bia, Gal diz que agora o show é só "som e luz", sem responder se a escolha é por razões econômicas ou estéticas. "Eu sempre gostei de ir na contramão do que faço. Acho instigante ousar e é o que sempre fiz." Gal Costa. Citibank Hall (1.400 lug.). Avenida dos Jamaris, 213, Moema, 6846- 6040. Amanhã e domingo, 22 h; dom., 20 h. R$ 40 a R$ 80

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