Teca Lamboglia/Divulgação
Teca Lamboglia/Divulgação

Gal Costa estreia show arrebatador em SP com clássicos na sua voz e música de Fábio Jr.

Repertório do novo show 'A Pele do Futuro' teve surpresas como ‘O Que é Que Há’, de Fábio Jr., com quem confessou ter namorado décadas atrás

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2018 | 20h26

A expectativa em relação ao repertório do novo show de Gal Costa, A Pele do Futuro, que estreou sábado, 1.º, no Tom Brasil, em São Paulo, era grande. Além das novas canções, que estão no novo disco da cantora que dá nome à sua turnê, sabia-se pouco sobre como seria essa ‘costura’ com as músicas mais antigas do repertório de Gal. Um desafio para ela e o diretor-geral do show, Marcus Preto.

O resultado no palco foi arrebatador não só pela escolha das canções para o show, mas por sua construção no set list. Acompanhada de uma banda de grandes músicos liderada por Pupillo, Gal surgiu poderosa no palco, com um longo vestido pink, colar reluzente e cabelos cuidadosamente armados, cantando os primeiros versos da clássica Dê Um Rolê: “Não se assuste pessoa / Se eu lhe disser que a vida é boa”.

Aquela primeira visão já dava fortes indícios de que viria pedreira pela frente – mesmo sendo prudente ter certa cautela com as primeiras impressões. Com olhos vidrados no palco, a plateia, agitada e interagindo com a cantora, foi se deixando levar pelas ‘descobertas’ e surpresas do repertório – e também pela qualidade vocal de Gal, impecável após mais de 50 anos de carreira.

Na sequência de Dê Um Rolê, vieram, fazendo dobradinha, Mãe de Todas as Vozes, do novo álbum, e Mamãe Coragem, do emblemático disco Tropicália ou Panis et Circensis, que entregaram para um dos pontos altos do show, Vaca Profana.

A também nova Viagem Passageira abriu caminho para uma outra emenda de clássicos respeitáveis: London London, em interpretação emocionante, As Curvas da Estrada de Santos, Lágrimas Negras, Que Pena e, acompanhada apenas de piano, cantou Volta, triste e grandiosa em sua voz.

Entre as surpresas no repertório, estão Motor, da banda Maglore, e O Que é Que Há, parceria de Fábio Jr. e Sérgio Sá. Antes de cantar esse sucesso de Fábio Jr., Gal contou que nunca havia cantado uma música do compositor, com quem deu “uma namoradinha em 1979”.

Chuva de Prata acionou a memória afetiva, e com as ótimas Sublime e Cuidando de Longe, ambas do disco A Pele do Futuro, Gal garantiu o momento disco music do show. Com o público extasiado, a cantora não quis perder a chance de surpreender também no bis e fez o carnaval da Gal, emendando os frevos Bloco do Prazer, Balancê, Massa Real e Festa do Interior – e fazendo lembrar, para quem não sabe ou não se lembra, que ela já era a rainha do carnaval antes mesmo de artistas como Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Catarse pura.

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