Funk do Rio chega a SP e solta suas "cachorras"

Dominado. Está quase tudo dominado. Casas noturnas, gravadoras, programas de tevê e emissoras de rádio de São Paulo já começaram a se render. A exemplo do que ocorreu com a axé music no início dos anos 80, quando deixou o gueto em Salvador para espalhar-se pelo mercado nacional como praga em lavoura, o funk carioca vive agora sua disseminação. Antes um gênero restrito quase que exclusivamente a duplas masculinas, as batidas que descem os morros das favelas do Rio de Janeiro têm à frente as "cachorras". Também conhecidas como "popozudas", "tchutchucas" e "potrancas", as funkeiras chegam assumindo estereótipos criados pelos rapazes e cantando versos maliciosos, muitas vezes impublicáveis.Com apenas oito meses de existência, o grupo feminino As Mercenárias estuda convites de três grandes gravadoras para poderem lançar seu primeiro disco. Um dos trechos mais leves de seu Rap do Adestrador dá noção do que deve vir por aí: "Sou cachorra chapa quente/adoro quando me tara/fico louca de tesão/pedindo tapinha na cara." Pela noite paulistana, já existe quem estranhe os termos. "A própria mulher se agride quando deixa um homem chamá-la de cachorra. Elas podem estar se divertindo, mas me preocupa quando isso ganhar novas dimensões e deixar de ser brincadeira", diz a estudante de direito Andréia Van Caspel, que prefere festas raves a baladas em locais fechados. Sua amiga Cecília Brown, estudante de artes plásticas, é mais radical. "A linguagem é péssima, vulgar, horrorosa. Não acho que isso vá pegar em São Paulo."Leia mais

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