REUTERS/Brendan McDermid
REUTERS/Brendan McDermid

Fundador do The Police: 'Sting foi o herói do pedaço'

Stewart Copeland fala sobre a banda e sobre as aventuras do pai, espião americano

Entrevista com

Stewart Copeland, do The Police

Geoff Edgers, The Washington Post

23 de dezembro de 2020 | 05h00

Todas as sextas-feiras, o repórter de cultura Geoff Edgers apresenta uma live no Instagram do jornal norte-americano The Washington Post em seu celeiro em Massachusetts. Ele entrevistou, entre outros, a comediante Tiffany Haddish, o especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci e o músico Elvis Costello. Recentemente, Edgers conversou com Stewart Copeland, baterista mais conhecido por ajudar a fundar o The Police. Aqui estão alguns trechos da conversa deles.

Então, Sting parece ter tido uma má reputação ao longo dos anos. As pessoas gostam de criticá-lo ou atacá-lo. E eu cheguei à conclusão que isso é porque elas geralmente têm ciúmes, porque Sting é incrivelmente talentoso. Lembro-me de ser aquele garoto de 13 anos andando por aí com a matéria da AP sobre o fim do The Police em 1984. E então, a próxima coisa que fiquei sabendo era que Sting estava tocando jazz. Isso faz você pensar que ele era o vilão. Mas a tensão, a discussão... realmente não era culpa de Sting. Era fruto dos três caras. Estou certo?

Sim. E ele não era o vilão do pedaço. Ele foi o herói do pedaço, porque ficou claro em nosso terceiro álbum que ele sabia exatamente como fazer um álbum de sucesso sozinho. Ele não precisava de nenhuma sugestão. Ele não precisava de nenhuma colaboração. Ele sabia como tinha que ser o som. Ele não precisava mais de nós. E chegou a um ponto em que ele apareceu no estúdio com sua nova música, com uma demo de platina que já era um sucesso. Foi quando uma versão mais jovem de mim mesmo começou a gritar e berrar. Era muito frustrante porque eu não estava lá apenas para funcionar como um metrônomo ou ser músico de sessão que está ali para gravar uma faixa. Sou o pior músico de sessão do mundo. Nunca consigo me lembrar do arranjo. Então havia esse conflito de que ele tinha algo que já era meio perfeito em sua mente, e era, mas eu não estava prestes a estragar tudo de alguma forma. Isso ficou aparente no álbum Zenyatta Mondatta – quando a tensão começou a nos afetar, quando ele começou a sentir “espere um minuto, minha ideia na minha cabeça é melhor do que o que estou ouvindo saindo da banda”. Mas ele ficou conosco por mais tempo, talvez mais do que merecíamos.

A única vez que pude ver o The Police foi quando você fez sua turnê de retorno. Eu vi vocês no Fenway Park em 2007 e foi um show realmente ótimo. E você escreveu sobre isso lindamente em seu livro Strange Things Happen. Obviamente, todo mundo está dizendo “pessoal, vocês tocaram bem juntos. Vocês estão mais maduros agora. Estão se dando bem? Gravem pelo menos algo juntos”. Mas você foi até o Sting e meio que o libertou disso. Mas por quê? Não é natural que, quando vocês ainda estavam no ápice da vida criativa, vocês realmente fizessem algo bom juntos?

Bem, nós funcionávamos bem juntos quando éramos jovens e criamos o material quando éramos codependentes – isso nós poderíamos tocar e apresentar para o público 30 anos depois e fazer funcionar. Criativamente, seguimos direções diferentes. Agora falamos em diferentes línguas em diferentes instrumentos e temos diferentes jornadas, e tocar essas canções é mais como liturgia do que uma expressão artística. É muito diferente de criatividade. É uma conexão com 80 mil pessoas cantando canções que conhecem. Uma nova música naquele cenário não seria o ideal. Message in a Bottle e Don’t Stand So Close to Me têm esse poder. E a ideia de eu entrar em um estúdio sem o público... você sabe, eu sou o cara errado. E estávamos passando por um período difícil na turnê. Havia essa tensão crescendo. Então, a parte libertadora do Sting foi dizer “cara, não vai haver outro álbum. Relaxe, temos mais 20 shows para tocar. Vamos aproveitar esses shows porque isso é meio divertido”.

Você tem uma série de podcasts na plataforma Audible, da Amazon, My Dad the Spy, sobre seu pai, Miles Axe Copeland II, que trabalhava na CIA. E é por isso que você viveu a maior parte de sua infância no Oriente Médio.

Isso, no Cairo. E você sabe, quando nasci em McLean, na Virgínia, que é um subúrbio da CIA, meu pai estava viajando a negócios. Ele estava ocupado trabalhando na posse de um ditador no Egito chamado Gamal Abdel Nasser, que na verdade era um ditador muito bom para o Egito. E quando eu tinha cerca de dois meses, nos mudamos para o Cairo e não voltamos para os Estados Unidos até meus 18 anos. Mas durante todo esse tempo sempre fui americano. E então, quando nos mudamos para Beirute, eu estava na escola americana, onde toquei com a minha primeira banda, os Black Knights. Mas meu pai, enquanto isso, eu não sabia disso na época, estava ocupado tramando em nome dos EUA para manter o petróleo fluindo para o Ocidente. Então, o podcast é sobre “quem era esse cara, meu pai?”.  / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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