Frusciante sai do poço em disco-solo

Escutar o novo disco solo de John Frusciante, o guitarrista e filho pródigo do Red Hot Chili Peppers, é como tomar um choque térmico para quem espera o típico som ensolarado da banda californiana. Aqui há nuvens (geralmente carregadas) e alguns escassos raios de luz. To Record Only Water for Ten Days (WEA, importado) é o terceiro disco do garoto prodígio, que resolveu tocar todos os instrumentos. Apesar de ser o seu trabalho mais acessível, requer audições mais apuradas. Nenhuma música para chacoalhar a cabeça. Introspecção, amargura e esperança são as palavras de ordem nesse CD.Ao contrário de inúmeros músicos que lançam discos-solos exatamente iguais aos feitos em suas bandas de origem, Frusciante opta por caminhos diferentes. To Record... não é daqueles típicos discos de viagens extremamentes pessoais, apreciáveis apenas estando muito lesado como o músico que gravou.Ele pode não ser genial como Arnaldo Batista ou Syd Barret, mas também não estava sofrendo efeitos de drogas como quando lançou os dois discos anteriores, em especial Smile From the Streets You Hold (1997), que requer muita paciência para se aturar os gritos e os solos de guitarras mixados ao contrário. As estruturas de suas músicas agora possuem um mínimo de linearidade: há começo, meio e fim e até alguma coisa assobiável. Apesar de ser guitarrista e lançar um disco-solo, Frusciante (para nossa sorte) não está muito interessado em ficar demonstrando virtuosismo (já existe uma legião de Steve Vais para isso). Há um leve flerte com o modo de vida de herói da guitarra em Going Inside, mas nada que comprometa.Leia mais

Agencia Estado,

23 de fevereiro de 2001 | 11h30

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