Frenéticas retornam aos palcos com novo álbum

Depois de mais de 20 anos, elas ainda têm certeza de que são "bonitas e gostosas", como no refrão de um dos seus hits do final dos anos 70. E ainda acreditam que podem ser pioneiras e quebrar tabus, como fizeram naquela época ao subir no palco da discoteca com The Frenetic Dancing Days, no Rio de Janeiro, com as pernas de fora e collants de lurex."Sempre haverá regras para serem quebradas", diz Lidia Lagys, a ex-Lidoka, atual líder da nova formação das Frenéticas. "E agora o grupo não é mais o mesmo. Será uma novidade com toque de nostalgia", garante. As novas integrantes do sexteto são mais jovens do que as da formação original. Mas elas têm pouco da definição de "frenética" que consta dos dicionários: não são rabugentas nem furiosas. Ao contrário, formam um time de mulheres bem resolvidas que querem divertir-se e divertir."Não quebramos apenas tabus em relação à mulher, à moda e ao vocabulário naqueles anos. Divertíamos, fazíamos as pessoas relaxarem, dançarem, soltarem suas asas", diz Lidia. "E é isso que vamos fazer de novo."Dizer que as Frenéticas estão de volta pode parecer repetitivo, uma vez que esse retorno já foi ensaiado algumas vezes. A primeira foi em 1991, quando as Frenéticas originais foram convidadas para gravar a música-tema da novela Perigosas Peruas, da Rede Globo.Depois houve mais um ou outro boato, o mais forte deles no ano passado, quando a gravadora Warner anunciou o lançamento de uma série de discos de arquivo de sucessos dos anos 70 e 80. Entre os escolhidos estavam três álbuns das Frenéticas - entre eles o primeiro, Frenéticas, de 1977, com a faixa de Rita Lee, Perigosas.Mas agora a volta parece ter engatado de vez. Pelo menos há empenho delas para isso. As veteranas Lidia Lagys, Edyr Duqui (ex-Edir de Castro) e Dhu Moraes (ex-Dudu Moraes) junto com as novas Claudia Borioni, Patrícia Boechat e Gabriela Pinheiro já estão com o repertório na ponta da língua e com as perucas a postos para a estréia no Tom Brasil. Em duas apresentações, elas apresentam o novo álbum, As Frenéticas Para Salvar a Terra.No repertório, além de algumas músicas inéditas compostas especialmente para elas - por artistas como Zeca Baleiro e Gabriel, O Pensador -, elas lembrarão de antigos sucessos. Perigosa e Dancin´Days não poderiam ficar de fora."São canções que ainda estão na boca das pessoas", lembra, orgulhosa, Lidia."E é isso que nos dá ânimo para voltar. Mostrar para os jovens quem cantava essas músicas que eles sabem de cor." As músicas resistiram à mudança das gerações. Quem nunca dançou ao ritmo de "Abra as suas asas/ solte suas feras/ caia na gandaia/ entre nesta festa"? Assim como as gírias criadas por elas, como o verbo "tietar".A história deste sexteto de dançarinas, garçonetes e cantoras nasceu na boate do produtor musical Nelson Motta, que se perdeu no tempo. No fim dos anos 70, as Frenéticas foram um sucesso nacional. O primeiro LP vendeu mais de 100 mil cópias - número que para a época era um grande feito. "As Frenéticas não eram uma imitação das estrelas internacionais de disc music, eram uma versão pop das vedetes de teatro de revista, das estrelas de cabaré e das chanchadas da Atlântida, em ritmo de rock e discoteca", definiu Motta em seu livro Noites Tropicais. E, assim como ele defende que as Frenéticas não eram imitação de ninguém, elas acreditam que são inimitáveis."Não existe, pelo menos no Brasil, um grupo que represente o que nós éramos nos anos 70", diz Lidia. Pensando em conjuntos do exterior, ela cita as Spice Girls como as mais semelhantes. "Não musicalmente, mas nas atitudes." Nesta volta oficial, no Tom Brasil, as Frenéticas não devem lembrar nem de longe as moçoilas britânicas com suas roupas prateadas e modernosas. O tempo passou, a moda mudou. Elas prometem um figurino novo, "estiloso", mas garantem: look frenético estará presente.As Frenéticas Para Salvar a Terra - Tom Brasil (Rua das Olímpiadas, 66 tel.: 3845-2326) Amanhã e sábado, às 22h. Ingressos: de R$ 25 a R$ 50.

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