Frejat solo vai abrir show de Eric Clapton

"Frejat brigou", "Frejat está mudado", "Frejat não toca mais com o Barão Vermelho". Os rumores que se ouvem nos bastidores do rock pop desde que o músico pediu férias de um ano a seu grupo voltaram a ressoar na semana passada. A banda que revelou Cazuza e se tornou um dos mais consistentes pilares para o rock nacional estaria terminada com o mergulho de Roberto Frejat em carreira-solo.Os boatos foram desmentidos um a um pelo músico durante as entrevistas que deu na semana passada, ao lançar Amor Pra Recomeçar, primeiro álbum-solo em 20 anos. A fumaça, se não leva a nenhum incêndio de maiores proporções, aponta que nem tudo foi paz e amor na história.O Barão Vermelho não está mais nos primeiros planos do guitarrista. Frejat cansou do ritmo um-disco-a-cada-dois-anos. Quer se dedicar em tempo integral a seus álbuns e shows solo. A saída, embora não definitiva e conversada há um ano com os outros integrantes, reflete um indisfarçável desgaste."A gente mataria o Barão" - Frejat justifica assim seu pedido de tempo aos amigos: "Este é o momento em que todos nós temos de criar condições de sobrevivência profissional fora do Barão. Se o Barão virar nossa sobrevivência, ele vai morrer. A gente vai matá-lo. A proposta da banda não pode ser a do financeiramente viável. Ele já tinha virado um ciclo vicioso. Em um determinado momento, temos de abrir outra possibilidade na vida", conta o músico.O guitarrista concorda que sua posição de líder o coloca em vantagem sobre os outros integrantes. "Concordo. A pessoas dizem que é mais fácil pra eu falar porque eu tenho uma carreira solo. Tudo bem. A minha carreira solo me coloca confortável até o momento em que ela dê certo. Talvez não exista esta possibilidade para os outros, mas existem outras possibilidades. Não se vive de música só com carreira solo. Pode-se montar uma firma de jingles, abrir uma produtora de publicidade, trabalhar com outros artistas. Pode-se montar um estúdio de ensaio. Temos 20 anos de estrada. Se depois desse tempo não conseguirmos potencializar nada disso, então nossa permanência aqui foi um fracasso."Guto Goffi, baterista do grupo desde a primeira formação, procura não polemizar. "Aceitamos numa boa. Para mim, está tudo certo. Aprendi a agradecer mais as coisas que ganhei do que ficar pedindo outras coisas." Em outra frase, deixa escapar certo ressentimento: "Houve um afastamento ideológico. Eu sempre pensei em jogar para a banda. O Frejat está mais preocupado em jogar para si mesmo. Mas ninguém está estremecido."Goffi e os outros integrantes da banda estão em projeto-solo intitulado Barão Instrumental, que pode virar disco. Nos shows, os músicos apresentam hits do grupo em versões instrumentais. "Mas nada com muita pretensão", conta o baterista.Uma outra novidade faz Frejat mirar ainda mais um horizonte sem parceiros. A convite da empresa CIE do Brasil, fará um show de 30 minutos para abrir as três apresentações que Eric Clapton fará no Brasil, dias 10 (Porto Alegre), 11 (São Paulo) e 13 (Rio de Janeiro)."Fiquei muito feliz. Meu público é comum ao do Clapton. Somos guitarristas, somos cantores e somos compositores. Acho que por isso fui convidado." Com tanta auto-confiança, o retorno ao Barão fica mesmo difícil.

Agencia Estado,

27 de agosto de 2001 | 10h26

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