Free Jazz Project começa sexta-feira no Rio

Um saxofone em construção. É essa a logomarca do Free Jazz Project, festival patrocinado pela Souza Cruz cuja festa de abertura ocorre nesta sexta-feira, na Marina da Glória, Rio de Janeiro, com a "macumba house" de Aricia Mess, cantora carioca nascida em Niterói. Marcado pela reunião de bandas e artistas de destaque no atual cenário alternativo brasileiro, o evento estende-se pelo sábado e domingo. Depois, segue, nos dias 21 e 22, para o Moinho São Roque de Curitiba, passa pelo galpão do Shopping DC Navegantes de Porto Alegre, em 30 e 31 deste mês, e chega a São Paulo no início de setembro (dias 4, 5 e 6). Os shows da capital paulista provavelmente ocorrerão no Tom Brasil. Neste fim de semana de estréia são nove os espetáculos. A democracia musical é um imperativo. Além de representantes abarcados sob o rótulo Mangue Beat ? Nação Zumbi, Otto e Pau de dá em Doido ? há hip hop, com B. Negão e Mamelo Sound System, rock gaúcho com a Comunidade Nin-Jitsu, funk mineiro com o Berimbrown e country hardcore com a carioca Matanza. A programação nas outras cidades não será a mesma. "Em cada noite tocam uma atração local e duas de fora", explica Bruno Levinson, diretor geral e criador do evento.Levinson, há nove anos diretor do principal festival alternativo carioca, o Humaitá Pra Peixe (HPP), entrou no mundo da produção por meio da poesia, sua principal forma de expressão. Veia artística que poderá ser conferida no próximo disco de Roberto Frejat, para o qual escreveu duas letras. Foi por meio do HPP, no entanto, que Levinson tornou-se conhecido. O Free Jazz Project surgiu, explica, de um interesse comum entre ele e a Souza Cruz. "Eu tinha a proposta de fazer um Humaitá maior e eles de fazer um Free Jazz menor, sem abandonarmos nossos projetos principais", comenta. O resultado desta união está prestes a sair do papel. Andaimes - O saxofone em construção não foi uma escolha aleatória. O instrumento, inteiro, é utilizado como marca do Free Jazz Festival, principal realização do gênero no País - este ano em sua 16º edição. O Project, como ressalta Levinson, começa agora. E está sendo construído aos poucos. ?Esse conceito norteia o trabalho?, adianta. ?Por exemplo, toda a cenografia, desenvolvida pelo Sérgio Marimba, simula o ambiente de uma obra, com seus andaimes?. Essa idéia de alternativo, que contempla a construção ininterrupta e no qual os artistas preferem a evolução à fórmulas bem acabadas, serviu de base para a escolha das atrações. Trabalho para o qual Levinson contou com a ajuda da diretora artística Andréia Leblon.Além dos shows, e do cenário decomposto, o Free Jazz Project terá uma banca com venda de discos alternativos e a distribuição de um fanzine com informações sobre todas as bandas e artistas presentes no festival. Além disso, três das atrações serão selecionadas pela Dueto Produções para figurar na programação do Free Jazz Festival. Levinson ressalta a importância dessa visão integrada para a constituição de uma cena alternativa sólida. ?Não basta apenas abrir espaço para a banda tocar no palco, é preciso estimular os produtores, os jornalistas que tem uma visão diferente da notícia, os cenógrafos, iluminadores?, defende. Fechando cada uma das rodadas do Project, há uma festa, regada à música eletrônica. A idéia é reunir DJs, produtores e músicos dos mais variados estilos. No Rio, toca o DJ Dolores, em Curitiba, os paulistanos do Auto Load, em Porto Alegre, o Dj Marcelinho da Lua, e em São Paulo, os cariocas do Afro Rio. Como explica Levinson, um festival alternativo, feito por alternativos, porém com estrutura profissional. Uma nova vitrine para uma nova cena.

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