Free Jazz: Leftfield e Moloko chacoalham o Rio

O Main Stage foi tomado pelo som tecno ontem no Free Jazz Festival do Rio. Os ingleses Leftfield e Moloko puseram um público eclético pulando no mesmo ritmo. Ao todo foram quatro horas de show, que eles repetem hoje em São Paulo, em noite que terá ainda Manu Chao e Moreno + 2, no palco New Directions, e Chucho Valdés, João Donato e Ray Brown, no palco Club.Leftfield deu um show-experiência. Um som puramente eletrônico de marcação forte encheu o Museu de Arte Moderna do Rio, reforçado por imagens absolutamente impressionantes projetadas numa tela em formato de sanfona, que fica atrás dos músicos e se impõe ao público.Depois de começar, o Leftfield praticamente não fez intervalos. Excelente para quem quer se sentir numa boate tecno dançando sem parar. E a batida eletrônica do Leftfield é daquelas que tremem o chão e as entranhas. Mas está longe de ser um bate-estaca gratuito. Prova disso é o verdadeiro cinema surrealista projetado na tela.Imagens ultra-velozes, por vezes até opressoras, reproduzem túneis infinitos ou paisagens urbanas corroídas. Mas também suavizam as impressões com quedas de tensão de acento lírico. O interessante é que, em certos momentos, as imagens parecem seguir perfeitamente a sonoridade, como se fossem acionadas pelos teclados. Assim, o show ganha uma dimensão multissensorial. E fica muito melhor.Moloko - Quem abriu para o Leftfield foi o Moloko. Mark Bryden e Roisin Murphy, casados, trouxeram uma competente banda de apoio. O fim do show, por exemplo, é um belo solo de bateria. Sua música faz uma interessante mistura de ritmos dance e rock. Instrumentos acústicos e um teclado eletrônico compõem uma base para cada música, que se repete até o fim. Um tanto monótono, Moloko chega a empolgar, mas não esconde as tradições inglesas. Encontra- se fácil algo de Pink Floyd e Rolling Stones nas suas músicas, mas isso está longe de estragar o show, que dura em torno de 40 minutos. Tendo dito a que veio, o Moloko fez uma piada sem saber: terminou o show tocando a música de um comercial do cigarro Lucky Strike, concorrência dos organizadores.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2000 | 19h00

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