Free Jazz bate recorde de público e faturamento

Foram três dias, 20 atrações e cerca de 26 mil visitantes, na estimativa dos organizadores. A 15ª edição do Free Jazz em São Paulo, realizado entre sexta e domingo no Jockey Club, superou as mais promissoras expectativas. Isso tudo a despeito do direcionamento artístico, que privilegiou artistas em busa de um lugar ao sol e não nomes consagrados. ?Sempre acreditamos na força do evento, no fato das pessoas irem ao Free Jazz pelo Free Jazz, por sua longa história de qualidade?, explica Monique Gardenberg, que há 15 anos criou o festival e o vem administrando. ?E deu certo, o público ficou curioso e compareceu?, completa.Em 1999, anterior recordista, o público presente foi de 22,5 mil pessoas. Zuza Homem de Mello, consultor musical do festival, que esteve a apresentar cada uma das atrações, mostrou-se feliz com o resultado do evento. ?Para quem gosta de jazz creio que a melhor noite tenha sido a do segundo dia, no palco Club?, disse. Segundo Monique, a Dueto Produções, sua empresa, não pensa em procurar outro patrocinador para o festival caso a lei que proíbe as empresas de tabaco de patrocinarem eventos culturais seja aprovada. ?Caso a lei proposta pelo Ministro José Serra passe no Congresso o Free Jazz tem muita chance de acabar sim?, comenta Monique. ?Acho um absurdo, mais pela brutalidade e pelo exagero em si, do que pelas consequências que isto possa ter na minha vida pessoal?, desabafa. Leia a entrevista exclusiva com Monique.A segunda noite, a de Manu Chao, foi a mais disputada do festival. Foi também a data dos pequenos incidentes. Segundo a organização, das cerca de 50 pessoas que recorreram ao atendimento médico, grande parte estava no show da banda inglesa de tecno Leftfield. Na saída do espetáculo, realizado no palco Main Stage, houve grande tumulto e confusão. No entanto, nenhum grave incidente foi registrado.No Village, trecho localizado entre os palcos Main Stage e New Directions, em que eram realizados espetáculos de música eletrônica, mais de 15 diferentes DJs colocaram o público presente para dançar. Na noite de ontem, Gerson King fez uma aparição especial. Entre as reclamações mais usuais, a dificuldade que alguns tiveram de comprar ingressos pela Internet, as filas nos banheiros, e as atrações coincidentes. Os cambistas, desta feita, não foram muito cruéis. Vendiam ingressos que custavam R$ 40 na bilheteria por R$ 60. O pessoal também não perdoou o preço do estacionamento: R$ 12.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2000 | 20h39

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