Fred Martins, vencedor do Visa, grava CD e DVD no Bourbon

Vencedor do 9.º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Compositores, Fred Martins é o primeiro da história da premiação a gravar um DVD. Como primeiro lugar da recente edição do Visa, Fred teria direito, como é de praxe, a entrar em estúdio para se dedicar a um novo CD. Mas o compositor quis fazer diferente: sugeriu um projeto ao vivo, produzido pela Gravadora Eldorado e pelo Canal Brasil - que se especializa no registro de shows e os lança em DVD. Sua vontade foi acatada. O local escolhido foi o palco do Bourbon Street, onde ele e sua banda subiram na terça-feira à noite e se apresentaram para uma animada platéia formada por fãs e convidados. Os músicos, afiados, são os mesmos que o acompanham nos últimos tempos. O time contou apenas com mais alguns reforços para o projeto. "Acho fantástico essa presença do público, porque é uma época difícil, em que as pessoas estão voltando de viagem", disse Fred, durante um breve intervalo nas gravações. Para ele, surpresa ainda maior por se tratar do público paulistano. Desde o início do Prêmio Visa, o músico niteroiense ressaltava a dificuldade de sua música "entrar" em São Paulo. No dia da premiação, considerou aquela vitória como uma entrada nesse mercado pela porta da frente, o que realmente vem se comprovando. No projeto, Fred quis reunir as canções que fizeram parte de seus dois CDs de carreira, Janelas (2001) e Raro e Comum (2005). Resgatou, até mesmo, músicas suas que ficaram conhecidas nas vozes de outros artistas, como Tempo Afora e Novamente (gravadas por Ney Matogrosso), Flores (por Zélia Duncan) e Sem Aviso (por Maria Rita). Mas não ficou só nas antigas. Privilegiou seu material inédito, que compõe boa parte do repertório do show. Das 27 faixas do DVD ao vivo, 19 delas são novas. "Tive liberdade de escolher repertório, arranjos, o que não é tão comum que aconteça. Isso é o maior voto de confiança", emendou. Usando dessa liberdade, o músico aproveitou para mostrar que sua sonoridade vai muito além do universo pop, ao flertar com outros ritmos, como o samba, a bossa e a música latina. Retratou, de fato, que sua arte como compositor pode ser bem mais ampla. "Não é só pop rock, queria dar essas nuances de onde vim, minhas referências são claras." Reverenciou a música cubana na inédita O Fim. "Sou fã de música cubana e me ressenti de não ter feito nada antes." Prestou ainda homenagens à canção nordestina, em Poema Velho, e a Paulinho da Viola, em Cores da Vida. Testou formações com a banda, só acompanhado de acordeão ou sax, e sozinho, apenas com seu banquinho e violão. Fred nunca escondeu que se considera mais compositor do que instrumentista ou intérprete. Mas diante do novo rumo que sua carreira tomou, a tendência natural, como todo compositor que interpreta a própria obra, é que ele se aprimore como cantor. Neste momento, querendo ou não, seu lado intérprete e de instrumentista também ganham visibilidade. O DVD e o CD do projeto devem chegar às lojas em abril. E a partir desse lançamento, ele planeja iniciar a nova turnê.

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