Franz Ferdinand, em busca da balada perfeita

Eles não querem ser lembrados nem pelas frases espirituosas, nem pela "atitude", nem por explosõeshormonais, voracidade química ou visitas periódicas às cadeias do Reino Unido. "Queremos ser lembrados no futuro por termos deixado algumas boas canções", afirmou Bob Hardy, baixista e fundador do grupo mais badalado do Reino Unido no momento, o escocês Franz Ferdinand, em entrevista na madrugada desta quinta-feira.Boas canções é que não faltam no seu repertório de dois discos, Franz Ferdinand(2004) e You Could Have It so much Better (2005). "Música para inocular no rock um pouco do glamour da cultura dance", disse a BBC, em seu surgimento. Hardy, o mais branquelo do grupo, estava num hotel no Japão, onde o grupo toca, hospedado com o nome Captain Mistery.A banda abre os shows do U2 por aqui (muita gente só vai para vê-los, nos 25 minutos que ficam em cena) e já tem concerto extra agendado para o Rio de Janeiro, no Circo Voador, no dia 23 com ingressos esgotados. "Faremos um show especial para o Rio, tocaremos uma hora e meia. Depois disso, vamos dar umas voltas pela cidade." Confira a entrevista com Bob Hardy: Você sabe, há um espantoso fenômeno na música atual do Reino Unido, o grupo Arctic Monkeys, que conseguiu se tornar sucesso antes mesmo de ter um disco lançado. Foram os fãs e não o marketing, que o projetou. Você acha que essa é a nova realidade da música, prescindir da indústria musical? Espero que sim. A vitória do Arctic Monkeys mostra o triunfo unicamente da música, em oposição às forçações de barra das bandas de shows de TV, dos astros fabricados, da música de encomenda. Há muito lixo gerado pela indústria musical que somos obrigados a engolir. Gosto do som do Arctic Monkeys. Em quatro anos de atividade, o Franz Ferdinand saiu de Glasgow e conquistou o mundo. Têm fãs gritando por vocês em todo lugar. Como vocês lidam com isso? Acho que o afeto dos fãs é algo que temos depreservar, algo maravilhoso. O sucesso não é ruim, nos possibilita visitar lugares onde nunca estivemos antes. Estivemos na Tailândia, vamos a São Paulo. É excitante. Como está sendo fazer um show no Japão, por exemplo? Muito diferente. É como uma igreja, a platéia muitosilenciosa, intensa. Os japoneses são fãs dedicados da música. Um amigo aqui disse identificar algo de "Come as You Are´, do Nirvana, na introdução de sua canção "Walk Away". Sério? Na verdade, é uma citação ao Kraftwerk(cantarola, e o som parece o da música ?Hall of Mirrors?). Lembra? Eleanor Puts Her Boots on é sim uma homenagem aos Beatles, mas também à fase mais psicodélica do Bowie. A Eleanor do título é Eleanor Freidberger, do grupo Fiery Furnaces (namorada do vocalista Alex Kapranos). Vocês se dão bem com as outras bandas de Glasgow, tipoBelle and Sebastian e Mogway? Glasgow é pequena, todo mundo conhece todo mundo. E é todo mundo meio bairrista, orgulha-se de sua cidade. Temos ótimas relações com as outras bandas, é divertido, embora façam sons diferentes. Há uma cena muito poderosa. Ouça Mother & the Addicts. Consta que você e Alex Kapranos criaram o Franz Ferdinand na cozinha de sua casa, e que quando ele sugeriu que aprendesse a tocar baixo, você respondeu: "Sou um artista, não um músico." E hoje, como se considera? Continuo pintando. Julgo-me um artista fazendomúsica. Aprendi baixo tocando. O que influenciou você? É difícil dizer, são centenas de coisas. Buzzcocks,Led Zeppelin, Belle and Sebastian, Talking Heads.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2006 | 19h00

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