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Frank Zappa é protagonista de filme que mostra sua luta contra as ameaças à liberdade de expressão

Longa mostra um libertário em cena diante dos jornalistas

David Villafranca, EFE

05 Julho 2016 | 19h24

LOS ANGELES - Tão imprevisível em cena como diante das perguntas dos jornalistas, Frank Zappa é o protagonista absoluto de documentário composto de entrevistas, algumas inéditas, que mostram o espírito totalmente livre desse gênio da música. Dirigido pelo cineasta alemão Thorsten Schütte e com aprovação da família do músico, o filme Eat That Question – Frank Zappa in His Own Words, sem previsão de estreia no Brasil, mostra um artista que lutou contra os convencionalismos musicais e contra o moralismo e a censura que, na sua opinião, ameaçavam perverter a liberdade de expressão.

“Era uma pessoa muito patriótica, muito americana. Defendeu os músicos e artistas em todos os lugares. Estava muito envolvido com o nosso país e lutava para todos poderem se expressar”, lembrou Moon Zappa, filha mais velha do músico, que morreu em 1993, aos 52 anos, de um câncer de próstata, em entrevista à EFE.

A figura de Zappa, que em 21 de dezembro passado faria 75 anos, atravessa o rock, a psicodelia, o jazz, os experimentos inovadores e a música orquestral do século 20.

Eat That Question não concentra a atenção nas suas aventuras musicais, mas nas suas entrevistas à imprensa nas quais, com uma voz profunda e sem largar um segundo o cigarro, abordava os abusos das gravadoras, a moral puritana e defendia uma liberdade de comunicação sem entraves.

“Eu o vejo como um explorador, um pesquisador, um iconoclasta muito honesto, que expunha claramente o que tinha como objetivo”, contou Thorsten Schütte à EFE. “Acho que a profundidade e riqueza do seu trabalho ainda repercutem até os dias de hoje”, acrescentou.

Para evitar a típica fórmula do documentário musical, baseada numa exposição de suas realizações e comentários feitos por seus familiares, o cineasta preferiu mergulhar em arquivos audiovisuais de todo o mundo na busca de imagens de Zappa falando diretamente para a câmera. “Quisemos dedicar o máximo de tempo e espaço possíveis ao artista”, ressaltou.

O longa reflete também fatos muito peculiares da vida de Zappa, como seu comparecimento ao Senado dos Estados Unidos, em setembro de 1985, onde defendeu a liberdade de expressão na qualidade de líder do Parents Music Resource Center, grupo de pressão que lutava para restringir o sexo e a violência na música.

Eat That Question também mostra Zappa, que nasceu em Baltimore, Maryland, mais reconhecido na Europa do que nos Estados Unidos, recebendo uma calorosa acolhida na antiga Checoslováquia, onde foi mesmo nomeado embaixador comercial. Sua participação em um programa de TV, fazendo música com uma bicicleta ou seu confronto em Berlim com um público que queria politizar um dos seus concertos são outros momentos marcantes do documentário.

Mordaz, sarcástico e provocador diante dos jornalistas, Frank Zappa, segundo sua filha Moon, nascida em 1967, ainda é “uma forte influência” e inspiração para as gerações contemporâneas por sua autenticidade e integridade.

Para Moon, o filme reflete o Zappa que ela conheceu: o pai, um grande e apaixonado trabalhador, que queria mostrar sua arte ao mundo.

Ao ser indagada sobre como Zappa teria interpretado a situação política atual nos Estados Unidos, Moon disse que suas opiniões teriam sido as mesmas: “Todos têm de ter voz e o mundo não pode avançar com base no medo”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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