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Frank Zappa, o provocador do rock

No dia em que completaria 75 anos, músico é lembrado por seu lado de criador incontrolável; veja vídeos

EFE

21 de dezembro de 2015 | 18h31

Experimentador, provocador e criador incontrolável, Frank Zappa, que teria completado 75 anos nesta segunda-feira, 21, cruzou a partir do rock todas as fronteiras musicais na segunda metade do século 20 para deixar um legado tão singular quanto inimitável.

"Neste mundo de estereótipos básicos, dê a um sujeito um nariz grande e um cabelo estranho e ele será capaz de tudo", declarou Zappa à NBC em uma de suas últimas entrevistas, fazendo jus a fama de deixar pérolas em cada uma de suas falas.

Frank Vincent Zappa, de ascendência "siciliana, grega, árabe e francesa", segundo sua delirante autobiografia The Real Frank Zappa, nasceu em 21 de dezembro de 1940 em Baltimore (Estados Unidos) e passou sua infância viajando de um lado a outro devido ao emprego de seu pai, um meteorologista que trabalhava para o exército.

Já instalado na Califórnia, Zappa começou a tocar bateria e violão e a desenvolver um incomum gosto musical: gostava tanto do rhythm and blues e do doo-wop como dos compositores de música clássica Edgar Varèse, Igor Stravinsky e Anton Webern.

"Nunca tive a intenção de converter-me em um cara extravagante. Foram outras pessoas que me tacharam sempre com este rótulo", afirmou Zappa em sua autobiografia.

Porém, desde jovem, sempre foi uma pessoa peculiar que, acima de tudo, gostava de passar o dia enfurnado no estúdio musical, seu refúgio e habitat natural.

Nos anos 60, quando já se intuía a revolução psicodélica, Zappa fundou o grupo Mothers of the Invention, cuja inflamável mistura de rock, jazz e experimentação inclassificável alcançou o estrelato com seu disco duplo de estreia, Freak Out (1966).

Com o Mothers of the Invention também começaram os problemas legais de Zappa, uma constante em uma carreira acostumada a pisar em todos os buracos e que teve um de seus momentos mais curiosos com a imitação da capa de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles, incluída no álbum We're Only in It for the Money (1968).

"Todo o mundo se dava tão bem na 'terra do flower-power' que ninguém se deu conta do tipo de emprego que tinha", escreveu Zappa em sua autobiografia, muito crítica com os abusos das gravadoras e o modelo de negócio musical.

Empenhado sempre em um constante desvio da norma e com a aspiração de controlar 100% de sua obra, Zappa dissolveu o Mothers of Invention para impulsionar sua carreira solo com o disco quase instrumental Hot Rats (1969) ao mesmo tempo em que se dispunha a colaborar com orquestras sinfônicas como na trilha sonora de "200 Motels" (1971).

Como Brian Eno em outras coordenadas, Zappa sempre teve a habilidade de pôr um pé na música popular e outro na clássica, de ser admirado pelos roqueiros (seus intermináveis solos de guitarra eram um show à parte) e, ao mesmo tempo, de ser requerido para compor e trabalhar com orquestras de todo o mundo.

Afastado cada vez mais dos palcos, nos anos 80 dedicou seus esforços a defender no Senado dos Estados Unidos a liberdade de expressão contra o Parents Music Resource Center, um grupo de lobby contra o sexo e a violência na música.

Tão suculento material não foi desperdiçado por Zappa: extratos dessas sessões de debate, manipulados e editados, podem ser escutados na canção Porn Wars, de seu álbum Frank Zappa Meets the Mothers of Prevention (1985).

Outra surpreendente incursão política de Zappa foi seu trabalho como embaixador comercial nos países do leste da Europa e até foi designado como representante oficial pelo governo da Checoslováquia nos anos 90.

Um câncer de próstata provocou sua morte em 4 de dezembro de 1993, deixando inacabada sua tarefa de remasterizar, ordenar e editar seu descomunal arquivo musical.

"Não é importante ser lembrado. As pessoas que se preocupam em serem lembradas, caras como (Ronald) Reagan e (George H.W.) Bush, gastam um montão de dinheiro e fazem um montão de coisas para assegurar-se que sua recordação será fantástica. Eu não me preocupo com isso", disse Zappa na entrevista à NBC.

Um túmulo sem lápide nem identificação acolheu os restos de Zappa no Westwood Village Memorial Park de Los Angeles, um pequeno cemitério onde também repousam Marilyn Monroe e Billy Wilder.

 

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