Frank Sinatra ganha biografia de 1176 páginas

'Sinatra – O Chefão', de James Kaplan, escava a vida do cantor como nunca

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2015 | 03h00

O mais profundo mergulho na vida do cantor Frank Sinatra acaba de ser finalizado pelo jornalista, biógrafo e romancista de Nova York, James Kaplan. Sinatra – O Chefão trata-se de um livro com 1.176 páginas sobre a vida de Sinatra a partir daquilo que pode ser considerado como seu primeiro renascimento, em 1953, quando ganhou um Oscar de melhor ator coadjuvante por seu trabalho no filme A Um Passo da Eternidade.

Os quarenta primeiros anos já haviam sido contados pelo mesmo Kaplan em Frank – A Voz, de 669 páginas, lançado nos Estados Unidos em 2010. Ao Estado, Kaplan diz que perdeu a conta de quantas entrevistas fez e que levou, para cada um dos livros, cinco anos de trabalho.

A história de Sinatra é um terreno mais do que pisoteado, mas talvez tenha sido escavado como nunca, deixando a missão de se conseguir novidades bem mais complicada para os próximos pesquisadores. Na mesma semana em que seu livro chega às lojas, é lançada outra publicação. Frank Sinatra – O homem, o mito, a voz tem texto de Pete Hamill e foi feito para pegar leitores desanimados com as proporções bíblicas de Kaplan. Seu livro tem apenas 195 páginas e custa R$ 29,90 (contra os R$ 99 do concorrente).

Kaplan tem um texto de estilo ficcional, que evita o tom relatorial (que empilha entrevistas e trechos de publicações). Ao invés de sobrepor informações, apura em quantidade suficiente para que possa jogar material desnecessário fora e que, ao mesmo tempo, lhe permita escrever usando uma narrativa estilosa. “Eu não invento nada”, diz. “Mas sou um novelista e não posso escrever minhas histórias de maneira automática. Quero que minhas palavras cantem”.

Kaplan fala primeiro sobre o contexto do surgimento de Sinatra, tratado em seu primeiro livro. É importante lembrar, diz, que o mundo estava vivendo sua segunda grande guerra e que as pessoas estavam tristes. “As mulheres, em particular, andavam muito nostálgicas com a guerra. Elas seriam as primeiras fãs de Sinatra, ouvindo suas baladas como se fossem para cada uma delas.” Ainda em seus primórdios, responde que não, não haveria Sinatra, ou não haveria nos mesmos moldes que o mundo conhece, se não fosse pela existência de um outro homem chamado Bing Crosby. “O maior ídolo de Sinatra veio e cantou de uma forma como nunca havia acontecido. Os cantores populares eram muito artificiais, afetados, usavam acento britânico. Bing Crosby faz uma revolução e Sinatra percebeu que poderia ser algo ainda maior do que ele”.

O crescimento de Sinatra se dá entre gângsteres mafiosos e políticos habilidosos, como Kaplan repassa e comprova. Sobre a afirmação de que teria sido um traficante de cocaína ligado a Pablo Escobar, conforme a afirmação do filho do colombiano em entrevista recente ao Estado, o biógrafo não tem respostas definitivas. “Eu vi essa matéria, mas não sei nada sobre essa ligação com drogas. Eu não poderia dizer se essa afirmação é verdadeira ou falsa, mas diria que os problemas de Sinatra foram com álcool, não com coca”

Um dos encontros mais bizarros se deu no dueto que fez com Elvis Presley em um programa de TV, em 1960. Elvis, até então, era a imagem do inimigo. “Sinatra odiava o rock. Quando os Beatles surgiram, em 1964, destruíram toda a música popular que havia até então.” Ali, conforme reconstitui Kaplan, os dois, Elvis e Sinatra, se tornaram iguais.

 

SINATRA, O CHEFÃO

Autor: James Kaplan

Tradução: Denise Bottman, Claudio, Carina e Paulo Geiger

Editora: Companhia das Letras (1216 págs., R$ 99,90)

 

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