Divulgação/Filipa Aurélio
Divulgação/Filipa Aurélio

Francisco, el Hombre mantém mistura de ritmos e intensifica ‘aula de crossfit’ nos shows

Banda de rock lança 'RASGACABEZA', álbum novo e 'bota fogo' no público

Simião Castro, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 14h59

Precisa muito esforço para ficar alheio a um show de Francisco, el Hombre. E o motivo é simples: o objetivo da banda é envolver, provocar e quase forçar a participação do público. A influência vem do músico de rua, que precisa fisgar a atenção e rodar o chapéu pelo ganha-pão. O novo álbum da banda responde à mesma lógica. Lançado na última quarta-feira, 1º, no Cine Joia, em São Paulo, RASGACABEZA é um álbum feito para o palco, como uma desculpa para um show intenso.

Não que o grupo precisa de desculpas. As referências cruzadas de música latinoamericana e as letras cuidadosas são suficientes para acender a euforia da plateia e esquentar o clima em um show maduro e competente. Novamente, não por acaso. “Basicamente, aquilo que a gente idealizou um ano atrás é finalmente aplicado agora: fazer a galera pegar fogo!”, diz o vocalista e um dos fundadores da banda, Mateo Piracés-Ugarte. No palco, ele brinca que fazem a aula de crossfit do Francisco, el Hombre.

Despertar o público do imobilismo é uma característica forte dos cinco jovens, expressa na poesia combativa das canções e nas performances do palco. Talvez por isso eles consigam dosar o tom das composições, seja pesando no punk-rock nas vozes de Mateo e do irmão Sebastián, aproveitando a doçura potente da garganta de Juliana Strassacapa em melodias mais intimistas, ou liquidificando tudo com maracatu, cumbia e eletrônico.

 

Música política

O processo de criação, inclusive, contempla fortemente as diferenças dos cinco integrantes - a banda conta também com Rafael Gomes e Andrei Martinez Kozyreff. Este último, segundo, Mateo ‘o maior fã do mundo do Iron Maidein e do Raça Negra ao mesmo tempo’. São estas nuances que provocam o gostoso estranhamento do som e geram identificação em quem ouve. “O que é real é que a o que gente decide compor é sempre pensando em como a gente vai cantar isso com o público. De certa maneira, é tentar chegar no ponto humano comum de cada um pelos temas que tocam o nosso dia a dia”, explica o vocalista.

O estímulo de mexer com os fãs vem de um senso de responsabilidade com o microfone e da tentativa de mudar a vida das pessoas através da arte, aproveitando a oportunidade do espaço para verbalizar os sentimentos e os inconformismos. Para Mateo, quem combate as expressões artísticas tem medo do que elas são capazes. “Se estão colocando a arte como inimiga, é porque ela fez algo que machucou essa galera que está desvalorizando a arte. Porque eles sabem que a arte é potente”, afirma o vocalista.

Com uma plateia diversificada em estilos, faixa etária, identidades de gênero e orientações sexuais, o que une os vários extratos é o engajamento político de tendência à esquerda. E mesmo quando o público iniciou um coro sugerindo ao presidente Jair Bolsonaro tomar em um lugar pouco ortodoxo, Juliana tomou o microfone para lembrar que, para muita gente, aquilo não era exatamente um xingamento. “Tomar lá é muito bom”, afirmou, ovacionada em seguida.

Parceria

No segundo semestre, o grupo se junta com a banda Scalene para uma apresentação inédita. Eles farão um show conjunto durante o Festival CoMA, que ocorre em Brasília entre os dias 2 e 4 de agosto. A expectativa é de crescimento musical. “Poder compartilhar com mais músicos é muito gostoso. É tudo aprendizado”, finaliza Mateo.

 

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