Francis Hime lança seu songbook

O pianista, compositor e arranjador Francis Hime acaba de lançar, pela especializada em música Lumiar Editora (258 págs., R$ 48,00), o seu livro de canções - o seu songbook. Trata-se de um trabalho diferente de outros da editora - com as obras, de, por exemplo, Tom Jobim ou Edu Lobo. Nestes, procurou-se esgotar a produção dos compositores. O Francis Hime Songbook traz um seleção, feita pelo músico, de 30 daquelas que considera suas composições mais importantes, escritas para piano.O livro traz duas versões de cada composição: em arranjo pianístico e a melodia com cifras, útil para violonistas, as sílabas da letra, quando é o caso, impressa sob a nota correspondente. Mas o que de fato importa para Francis Hime é a parte dedicada ao piano. Escolheu as músicas pensando naquelas que fossem, pianisticamente, mais interessantes.Isso porque se deu conta de que quase não há arranjos para piano - trata-se de música popular ? editados. "Esse livro é um projeto que começou a ser desenhado há uns dez anos, quando através de conversas com pianistas da área clássica, descobri o quanto eles gostariam de tocar músicas populares, não o fazendo pela inexistência de partituras", escreve Francis, no texto de apresentação do Songbook.No mesmo texto, explica que, embora as canções - as músicas lentas - se prestem mais ao piano, não poderia deixar de fora alguns sambas "Está no sangue, não quis deixar de fora músicas como Amor Barato, Anoiteceu, Coração do Brasil? , prossegue Francis. São composições com parceiros diferentes. Amor Barato, dos anos 70, tem letra de Chico Buarque, e foi um dos grandes sucessos da dupla (Chico sempre canta o samba em seus shows). Anoiteceu é mais antigo, remonta ao início da carreira de Francis. A letra é de Vinicius de Moraes. Coração do Brasil tem letra de Olívia Hime, cantora, mulher do compositor.Francis Victor Walter Hime nasceu no Rio de Janeiro, em 1939. Sua primeira professora de piano ? ele tinha 6 anos - foi Carmem Manhães. Prosseguiu estudando no Conservatório Brasileiro de Música e complementou a formação na Suíça. Lá, cresceu seu encanto com a música romântica européia, uma influência marcante em seu estilo de composição.Porque, embora a formação fosse clássica, Francis nem ao menos estrearia como pianista clássico. O contato com Vinícius de Moraes, no início dos anos 60, levou-o de forma quase direta para a música popular. Com ele, em 1963, fez Sem Mais Adeus, gravado por Wanda Sá no disco Wanda Vagamente. Nesse disco, Wanda lançava toda uma geração de compositores - a segunda geração da bossa nova, que Francis integrava.Sem Mais Adeus foi uma estréia importante. A canção triste, brevemente chopiniana, essencialmente pianística (e o instrumento por excelência da bossa nova era o violão), indroduzia uma nova solenidade, ou sobriedade, no universo da música popular.Francis tem parcerias com Rui Guerra (Minha, Por um Amor Maior, gravada por Elis Regina), Paulo César Pinheiro (A Grande Ausente, Anunciação), Cacaso (Cabelo Pixaim), Chico Buarque (Atrás da Porta, Pivete, A Noiva da Cidade, Vai Passar, Trocando em Miúdos, Meu Caro Amigo).No início dos anos 70, foi para os Estados Unidos, estudar música. Interessou-se pela composição de trilhas sonoras e foi aluno de especialistas como Lalo Schifrin e David Raksin. Estudou orquestração e regência. Em 1974, lançou seu primeiro disco, Francis Hime, em que assinava músicas, arranjos, e cantava. Fez trilhas para filmes como A Estrela Sobe, de Bruno Barreto (1974), Lição de Amor, de Eduardo Escorel (1975), e Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto.Além de parceiro de Chico Buarque, foi também arranjador de vários de seus discos. Nos últimos anos, tem-se dedicado a compor peças clássicas - a busca de uma linguagem clássica para a música brasileira.Essa busca está refletida no Francis Hime Songbook: a procura de uma notação que traduza as síncopes peculiares do samba, da canção brasileira. O livro traz textos, em inglês e português, de Tárik de Souza e Sérgio Cabral, transcreve entrevista concedida ao produtor do livro, Almir Chediak, mais discografia, fotos de época e depoimentos sobre compositor e obra.

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