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Francis e Olívia Hime homenageiam Vinicius em shows

Casal se apresenta sábado e domingo no Sesc Vila Mariana

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2014 | 21h06

Francis Hime tinha 17 anos quando conheceu o poeta Vinicius de Moraes, em 1956. Foi numa festa na casa dos pais de Hime que o futuro parceiro, celebrando o sucesso de sua peça Orfeu da Conceição, ouviu o garoto tocar sua Valsa de Eurídice. Ficou encantado, virou-se para a mãe de Francis e disse: "Ô, Dália, tem de botar esse menino para aprender música". Mal sabia Vinicius que o prodígio já era uma espécie de Mozart carioca, incentivado por dona Dália Antonina, sensível pintora e autora da tela que ilustra a capa do seu disco Sonho de Moço (1981), um retrato de Francis exatamente aos 6 anos de idade, época em que começou suas aulas de piano.

Quando Francis completou 25 anos, Vinicius voltou à carga, dessa vez para propor ao jovem uma parceria. Foi assim que nasceu Sem Mais Adeus, em 1964. Para comemorar os 50 anos da canção e da amizade com Vinicius (1913-1980), além do centenário de nascimento do poeta, Francis e sua mulher Olívia Hime sobem sábado e domingo ao palco do Sesc Vila Mariana, no show Sem Mais Adeus: Uma Homenagem a Vinicius de Moraes.

Com roteiro do casal e direção de Flávio Marinho, o show traz apenas três das 12 canções que Francis compôs em dupla com Vinicius - Anoiteceu, Saudade de Amar e Sem Mais Adeus. É para dar espaço a outras obras-primas da parceria Vinicius/Tom Jobim (Insensatez, A Felicidade, Chega de Saudade, Pela Luz dos Olhos Teus) e Baden Powell (Berimbau), entre outros. Entram ainda no show poemas de Vinicius na voz de Olívia e uma canção estrangeira que ela canta em homenagem ao poeta: Nature Boy, composta em 1947 pelo proto-hippie americano Eden Ahbez (1908-1995) e usada num filme clássico de Joseph Losey, O Menino dos Cabelos Verdes (1948). Vinicius, como se sabe, era cinéfilo. Sua breve carreira como censor cinematográfico durante o Estado Novo serviu pelo menos para descobrir os grandes diretores.

Figura polêmica, Vinicius foi integralista na juventude, reavaliou sua posição ideológica nos anos 1960 (ele foi aposentado pelo Ato Institucional n.º 5) e, quando conheceu Francis Hime, sua peça Orfeu da Conceição já estava sendo adaptada para o cinema pelo francês Marcel Camus (Orfeu Negro, Palma de Ouro em Cannes em 1959 e Oscar de melhor filme estrangeiro em 1960). Francis teria adorado fazer um musical com Vinicius, mas o poeta, então envolvido com a diplomacia e outros parceiros da bossa nova, seguiu rumo diferente.

O cineasta francês Jean-Gabriel Albicocco (1936-2001), anos mais tarde, praticamente convocou Hime como um dos autores da trilha de um balé chamado Polichinelo, mas o projeto não foi adiante. "Teria adorado fazer, pois outro autor convidado era Baden Powell", diz Francis, anunciando sua mais recente produção, a Ópera do Futebol, que vai estrear justamente na época do Copa do Mundo.

O compositor fala com entusiasmo da ópera, sobre dois irmãos, filhos de um craque de futebol, com visões antagônicas do mundo. Um segue o caminho do pai, outro vai para a droga. Ópera do Futebol, que estreia em junho, no Teatro Municipal de São Paulo, é uma nova experiência erudita de Hime, que na infância, não dava muita bola para os clássicos. "Até nisso Vinicius foi importante na minha vida, pois, se não fosse ele, talvez nem tivesse feito música", admite o músico, formado em engenharia mecânica.

Foi em sua volta ao Brasil, em 1959, após uma temporada de quatro anos na Suíça, que seus laços com o pessoal da bossa nova se estreitaram. Vinicius apresentou Francis a todo mundo que importava no nascente movimento musical que viria a ser o mais expressivo da história da MPB. "Ele e Edu Lobo, que era meu melhor amigo na juventude", acrescenta.

No primeiro disco de Francis, Os Seis em Ponto (1964), destacam-se, aliás, uma canção de Edu Lobo (Borandá) e três canções de Vinicius: Samba do Carioca, Luciana e Sem Mais Adeus, que tem como parceiros, respectivamente, Carlos Lyra, Tom Jobim e o próprio Francis. "Vinicius era muito afetuoso, chamava todo mundo pelo diminutivo", lembra Francis, que apresentou o mesmo show dedicado ao parceiro na China, em setembro do ano passado, com pequenas alterações no roteiro. "Foi uma experiência que me impressionou muito, pois tudo na China é mega." De volta às dimensões naturais, ele planeja lançar no Brasil, ainda este ano, um CD só de inéditas. Ele e Olívia não param.

Serviço:

Olívia e Francis Hime

Sesc Vila Mariana

Rua Pelotas, 141, tel. 5080- 3000

Sábado., às 21 h; domingo, às 18 h

De R$ 6,40 a R$ 32

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