Foo Figthers é o grande destaque da segunda noite

Os norte-americanos do Foo Figthers foram o grandes destaques da segunda noite do Rock in Rio Por Um Mundo Melhor. A banda, liderada pelo ex-baterista do Nirvana, que esbanja carisma tocando guitarra e cantando, apresentou-se ontem no Palco Mundo, tendo como companheiros de tablado Cássia Eller, Fernanda Abreu, Barão Vermelho, Beck e REM. Bem que os músicos avisaram que essa seria a apresentação da vida deles. Afinal, os roqueiros, que questionavam o nome do festival, puderam, finalmente, dizer, após a entrada da banda no palco, que o verdadeiro rock and roll estava começando.Já nos primeiros segundos de Breakout, Dave Grohl mostrou a que veio. A primeira frase da canção foi cantada por um coro de aproximadamente 120 mil pessoas. Ele tinha a platéia nas mãos. Após essa demonstração de força, o músico foi desfilando as composições, que alternam punk rock, refrões grudentos e melodias pop. A banda, formada ainda pelo baixista Nate Mendel, o guitarrista Chris Shiflett e o baterista Taylor Hawkins, seguiu num repertório funcional que trouxe músicas energéticas, como My Hero e Learn to Fly. Satírico, o líder do grupo pediu para que as pessoas tirassem a camisa e a girassem no ar, em movimentos circulares, antes da execução da balada Up in Arms. "Estava assistindo à transmissão do show do James Taylor pela TV e todo mundo estava com as camisas nas mãos, achei aquilo tão bonito", disse ele.Em Stacked Actors, incorporou a dançarina de boate e rebolou exibindo a bermuda com os fundilhos em frangalhos. Foi nessa canção também que o músico deixou um pouco a guitarra de lado para empunhar as baquetas - para delírio dos órfãos do Nirvana-, com direito a batucada estilizada promovida por Grohl e pelo baterista. Na música Next Year, outra promessa foi cumprida. Antes do início da canção, entraram no palco a mulher do vocalista e membros da equipe portando bolo decorado com vela e glacê, para desejar-lhe feliz aniversário. Nos telões de alta definição, lia-se um meigo "Happy Birthday Dave !!!!"A festinha de comemoração dos 32 anos do Grohl, ou melhor, o show, continuou com I´ll Stick Around e Doll-See You, com mais uma referência a outro dinossauro rocker. "Acendam seus isqueiros para que isso aqui fique parecendo um show do Pink Floyd", ironizou. Seguiram, então, a matadora This is a Call, um dos melhores riffs da década passada, Monkey Wrench e Mia. Praticamente obrigada a voltar para o palco, a banda encerrou a participação no festival com Everlong. Na verdade, o que se viu no Palco Mundo foi o último show da turnê do disco mais recente do grupo There´s Nothing Left to Lose. Afiadíssimos eles estavam.Antes, mister Beck David Hansen, o Beck, fizera um show correto, entremeado por belos momentos após ameaças pregressas de vinda ao Brasil e baile nos jornalistas que o aguardavam para uma entrevista coletiva - reagendada depois, é preciso dizer. A apresentação do músico mesclou, basicamente, composições de discos como Loser, Odelay, Modulations e Midnite Vultures. A banda que o acompanha é ótima. Beck entrou no palco trajando negro dos pés à cabeça e, de cara, exorcizou os semi-sucessos mezzo indie mezzo rap, de uma só tacada mandou Novakane, New Pollution e Loser.Feito isso, Beck dirigiu o foco para o que tem sido a atual fixação dele, um híbrido de soul music dos 60 com o pop-rock dos 80. Nas músicas seguintes, o músico evocou Sly Stone, com um coral de belas garotas é de um grande auxílio. Em Minus, o cantor tocou guitarra e, no fim, usando de um dos grandes maneirismos dos instrumentistas de heavy metal, a fez rodar no corpo, provando que a questão cênica também é importante. Mesmo que outros clichês dos quais ele lança mão no palco possam beirar o risível, como a panderola no alto da cabeça ou o passo de dança celebrizado por James Brown, onde o sujeito pula e cai no chão com as pernas abertas. Por alguma ironia logística, a elegia aos baianos tropicalistas, que mais remete a cadência da bossa nova, a canção Tropicália, encontrou o fio da meada na noite carioca. Beck a interpretou como se estivesse, realmente, imbuído da brasilidade universal, não obrigatoriamente nessa ordem, que o movimento apregoava nos anos do amor e da flor.Passado o momento de devoção, a esquizofrenia do bem foi em direção à boa One Foot in Grave. Era Beck voltando aos tempos de trovador folk, tocando gaita presa ao pescoço e violão de cordas de aço - no início de carreira, o músico equilibrava as economias dançando break nas ruas de Los Angeles à tarde e cantando nos bares de folk music mais caídos das redondezas. Outro belo momento da apresentação foi a contagiante e divertida Devil´s Haircut, que não deixou ninguém da audiência imune. Pausa para troca de roupas, e Beck retorna todo de vermelho com detalhes dourados e brancos a enfeitar-lhe a camisa e as calças e se despede dos brasileiros com Where It´s At.Se o Foo Fighters sai coroado como o melhor show de rockão anfetaminado da noite, o rock REM reina absoluto na seara do lirismo, da maturidade e da performance apaixonada de palco. Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills fizeram um panorama de uma carreira musical pautada pela coerência. O cenário foi o mais produzido até então, com objetos iluminados que reproduziam xícaras de café, golfinhos, inscrições japonesas, bananas, faróis, entre outros.A entrada do grupo no palco foi intensa. Eles começaram com Work Song, seguida de Kenneth. "Vamos tocar uma canção dos primeiros tempos", anunciou Michael Stipe. antes de iniciar Fala on Me. As balzaquianas choraram. O inevitável nó na garganta prosseguiu com Wake Up e Daysleeper, com Mike Mills nos teclados.Duas músicas do disco novo do REM foram apresentadas em primeira mão ao público brasileiro, Just Wants to Be e The Lifting. Elas fazem parte do álbum Reveal e seguem a atmosfera positiva que, segundo os músicos, eles encontraram no Rio - ainda que sejam baladas cortantes. O repertório trouxe ainda clássicos atemporais, como S. Central Station, One I Love, Loosing My Religion (comoção geral), Walk Unafraid, Everybody Hurts, Pop Song e a emblemática End of the Word. Foi reconfortante.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2001 | 19h10

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