JF DIORIO / ESTADÃO
JF DIORIO / ESTADÃO

Foo Fighters mostra rock perfeito para arenas em São Paulo

Hits e músicas do novo disco embalam a noite dos fãs da banda liderada por Dave Grohl

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2015 | 22h00

A avalanche roqueira do Foo Fighters passa na noite desta sexta-feira pelo estádio do Morumbi, em São Paulo, no segundo show da terceira passagem da banda pelo País. Com altas doses de guitarra e uma simpatia acima da média, o grupo liderado pelo sempre sorridente Dave Grohl abriu a apresentação às 21h18 com a furiosa Something From Nothing, faixa de abertura do mais recente disco do grupo, Sonic Highways, lançado em novembro do ano passado. O Brasil foi o escolhido para justamente dar início à turnê mundial planejada pelo grupo para divulgar o novo trabalho. 

O Foo Fighters completa 20 anos de estrada em 2015, em grande estilo, sem olhar para trás e viver de saudosismo. Pelo contrário. As duas décadas funcionam como combustível para a busca por novidades capaz de dar fim à ânsia artística de Grohl, líder e criador da banda, desde 1995, um ano após perder o amigo Kurt Cobain, companheiro de Nirvana, no qual exercia o papel de baterista.

Sonic Highways foi construído ao mesmo tempo que uma minissérie homônima, exibido pelo canal por assinatura HBO (no Brasil, ela foi transmitida pelo Bis). Cada uma das oito faixas foi gravada em uma cidade diferente dos Estados Unidos, com um gênero de rock bastante específico. O resultado é um álbum que pode não ter caído nas graças da crítica, mas foi abraçado pelos fãs paulistanos - com uma devoção tão grande quanto à mostrada em Porto Alegre, na última quarta-feira.  

Grohl rejeita a ideia de fazer uma turnê executando o primeiro disco, que leva o nome do grupo, para comemorar o 20º aniversário. Ele olha para frente. No show, são poucas as faixas do disco que ganham uma versão ao vivo. 

O roteiro, de forma muito acertada, costuma reinterpretar todas as fases do grupo, passando pelos oito discos. As canções, contudo, saem extremamente encorpadas, graças às guitarras de Grohl,  Chris Shiflett e Pat Smear. Juntos, eles formam um turbilhão barulhento acompanhado por  Taylor Hawkins, o baterista que tem a ingrata tarefa da assumir as baquetas em uma banda liderada por Grohl. Ali, ele se esforça para mostrar que merece o posto,  esmurra o instrumento sem dó. Tudo gira em torno daquela  imprecisão e criatividade que somente um show de rock pode oferecer. 

Teve até pedido de casamento. Vinicius e Monica. Ele subiu no palco, chamou a moça, e fez o pedido em inglês. No microfone de Grohl, logo depois de Skin and Bones.

Rush e Black Sabbath foram as bandas escolhidas para covers no momento de apresentação de cada um dos integrantes da banda. "Vocês são barulhentos. Eu gostei", disse Grohl. "Vamos aproveitar essa noite, nos soltar e fazemos o que quisermos", completou o líder da banda, antes de anunciar Cold Day In The Sun, cantada por Hawkins.

The Pretender, mais raivosa, é uma lição de como funciona a sonoridade do Foo Fighters. Início lento, refrãos explosivos. Difícil manter a cabeça os pés parados a cada explosão (sonora) vindo do palco. Learn to Fly faz o tempo voltar para 1999, quando saiu o disco There Is Nothing Left to Lose

O público reage a Grohl como se ele fosse um maestro, desde os momentos para balançar os braços até a hora em que precisam cantar em coro. Breakout foi um espetáculo a parte, com pausas e retomadas de tirar o fôlego. My Hero é um hit criado para estádios com capacidade para 80 mil pessoas como o Morumbi.

Depois de passar por Porto Alegre (quarta-feira passada) e São Paulo, a banda seguirá para o Rio de Janeiro (estádio do Maracanã, domingo) e Belo Horizonte (Esplanada do Mineirão, na próxima quarta). Ainda há ingressos disponíveis. / Atualizada às 23h.

Mais conteúdo sobre:
Foo Fighters

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.