Marcos Hermes/Estadão
Marcos Hermes/Estadão

Foo Fighters e Queens of the Stone Age entregam suor, sorrisos e peso no Rio de Janeiro

Turnê das duas bandas passa ainda por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2018 | 01h27

RIO - O Foo Fighters tocava a terceira música na noite deste domingo, 25, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, e Dave Grohl já suava. Sua cabeleira chicoteava para lá e para cá, na mesma velocidade que sua mão direita esmurrava as seis cordas do instrumento de corpo azul brilhante com a palheta. “Vocês querem um pouco de rock and roll?”, perguntou ele. Ouviu um sonoro “não”. O público que se reuniu no estádio transformado em arena – 30 mil pessoas, de acordo com a organização – não queria pouco. Queria muito. Queria mais. “Vocês querem muito, então?”, gritou Grohl. “Então vamos!”

E Dave Grohl, meus caros, sabe o que faz sobre o palco. Um dos maiores showmen do rock da atualidade, no comando do seu Foo Fighters, o norte-americano é potência e gritos, é suor e êxtase, é calmaria e convulsão. 

E bom frontman que é, Grohl não deixa o show esfriar com muito blá-blá-blá inicial. De primeira, ele enfileira canção seguida de canção, como se todas fossem uma coisa só, numa mesma energia, ou sinergia. Com canções de refrões incendiários e contagiantes, o Foo Fighters é uma banda de impacto imediato.

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É fácil se empolgar com a banda, logo de início. Culpa disso está nas suas músicas de precisão matemática, de explosões nas pontes que precedem os refrões, esses já costumeiramente fervidos. É um método que funciona em arenas como o Maracanã, onde o suor era tanto que a temperatura parecia maior do que indicava no termômetro. 

Grohl prometeu canções novas e velharias. O mais novo disco do grupo foi lembrado moderadamente, embora músicas como Run e The Sky is a Neighborhood tenham funcionado melhor ao vivo do que no álbum Concrete and Gold, lançado no ano passado, sob críticas mornas.

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“Vocês querem canções do primeiro disco? E do segundo? E do terceiro? Quarto? Quinto? Sexto? Sétimo? Oitavo? Não sei quantos discos nós temos”, brincou Grohl ao microfone – são nove, no total, ao longo de 24 anos de existência.

Com a voz entregue, Grohl é uma figura ímpar, de paixão pelo ofício que transpira pelos poros – e isso emociona. Cada show é como o último e assim ele tem feito desde o início do Foo Fighters, em 1994, após a morte de Kurt Cobain, líder do Nirvana. Mesmo nos intervalos premeditados e no mise-en-scène anterior ao bis, tudo funciona para acrescentar mais justificativas à tese de que Dave Grohl é o cara “mais legal do rock”.

Entrega, essa é a palavra. E o segredo. Entrega e suor. Afinal, é disso que um show de rock and roll é feito.

Queens of the Stone Age derrete entre guitarras e peso 

Nessa inédita turnê em conjunto com o Foo Fighters, o Queens of the Stone Age é o peso, força e empuxo. Não tem papo ou agrado à plateia. O que a banda liderada por Josh Homme, que subiu ao palco antes de Grohl e companhia, faz é transformar seu som numa locomotiva em velocidade, incansável, implacável. Que potência! Quanta pancada! Com uma escolha acertada de repertório e sem concessões, o grupo derreteu, música a música, na noite abafada do Rio. 

Com o disco Villains lançado no ano passado, a banda decidiu por dar ênfase nos principais sucessos, o que fez sentido. Villains foi um disco controverso, com menos quilos de distorção e a velocidade característica da banda – é um álbum com suingue. Dele, tocaram cinco canções – com destaque para a contagiante The Way You Used to Do e a atmosférica Villains of Circumstance. Mas grande parte da apresentação foi focada nos discos mais aclamados de Homme e companhia: ...Like Clockwork (de 2013) e Songs for the Death (2002). 

No fim das contas, o calor carioca naquela noite reforçou a potência do Queens of the Stone Age no palco. Músicas como Little Sister, No One Knows, Make It Wit Chu e Go With the Flow parecem ter sido criadas para ambientes assim, quentes, úmidos, furiosos e sem o frescor de um aparelho de ar condicionado ligado por perto. 

Diferentemente da conturbada turnê pelo território norte-americano, quando Josh Homme demonstrou destempero e falta de vontade ao microfone – e ainda chutou uma fotógrafa que trabalhava no show –, o Queens of the Stone Age foi destruição em massa. 

Ego Kill Talent, banda brasileira de abertura, se emociona com recepção 

Eles tinham pouco mais de meia hora no palco. Não muito, mas suficiente para criar uma boa impressão. A banda brasileira Ego Kill Talent, escolhida para abrir a noite deste domingo no palco montado no Maracanã, criou sua avalanche particular a partir do único álbum lançado pelo quinteto, no ano passado.

Com vigor de sobra e alternâncias climáticas no peso das guitarras, o grupo entrega seu próprio caldo temperado por stoner rock, grunge e metal melódico, criado a partir da vontade de seus integrantes de curtirem o próprio som – o nome da banda vem da ideia de que “muito ego pode destruir seu talento”. 

Com músicas como Still Here e Last Ride – essa última ganhou um videoclipe há poucos dias, filmado no deserto do Atacama, no Chile – o Ego Kill Talent foi força e peso. A recepção do público foi calorosa, o que emocionou os integrantes sobre o palco. No fim das contas, a banda entregou o que se espera de uma banda de abertura em shows desse porte: potência e novidade.

A turnê conjunta, com as três bandas, segue para São Paulo (no Allianz Parque, dias 27 e 28 de fevereiro), Curitiba (Pedreira Paulo Leminski, dia 2 de março) e Porto Alegre (Beira-Rio, dia 4).

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