Roland Godefroy/Wikimedia Commons/CC
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Foo Fighters diz não ao Isle of Wight 2015; veja curiosidades

Festival no Reino Unido foi, no fim dos anos 1960, um dos maiores do mundo

Gabriela Korman, Especial para O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 15h28

A banda americana Foo Fighters recusou um convite para participar do Isle of Wight, festival que, desde 2007, ocupa o posto de melhor do Reino Unido. O grupo liderado por Dave Grohl, confirmado nos festivais alemães Rock Am Ring e Rock Im Park, se prepara para o circuito europeu aproveitando o lançamento de seu novo álbum, Sonic Highways, marcado para o dia 10 de novembro. Ainda em janeiro de 2015, a banda toca em quatro datas no Brasil.

A notícia veio à tona quando John Giddings, organizador do Isle of Wight, respondeu no Twitter ao pedido de uma fã que queria a participação da banda. “Você tem que colocar Foo Fighters no headline do ano que vem! Especialmente depois que eles lançaram uma música nova incrível e estão com um álbum novo a caminho”. Giddings respondeu: “Eu bem que gostaria, mas eles recusaram. Desculpa.”

Com Woodstock e Glastonbury, o Isle of Wight está na história do rock. Surgido em 1968, no auge da era paz e amor, o festival ocorre na ilha homônima ao sul da Grã Bretanha. Dez mil pessoas participaram da primeira edição, que contou com apresentações de Jefferson Airplane, Smile, The Crazy World of Arthur Brown e Halcyon Order. Em 1970, com a presença de Jimi Hendrix, o tumulto foi imenso e os irmãos Foulk - promotores do evento na época - puseram um ponto final na festa.

O festival ressurgiu em 2002 com nova configuração, no Seaclose Park, um local de recreação nos arredores de Newport, capital da ilha. Em doze anos, o evento já teve headliners como Paul McCartney, Rolling Stones, The Police, Coldplay, Neil Young, Sex Pistols, REM, David Bowie, The Who e Robert Plant. A edição de 2014 teve Biffy Clyro, Calvin Harris, Red Hot Chilli Peppers e Kings of Leon.

O Isle of Wight 2015 acontece entre os dias 11 e 14 de junho. Por enquanto, as atrações ainda não foram divulgadas.

Conheça cinco momentos importantes da história do Festival:

Bob Dylan, fã de literatura inglesa

Em 1969, segundo ano do evento, os irmão Foulk tentaram persuadir Bob Dylan durante seis meses para ele ser o grande nome do festival. Dylan se recuperava de um acidente e não via motivo para fazer seu show de retorno em uma ilha desconhecida. Ray Foulk então viajou para Nova York atrás do músico e mostrou-lhe um filme que destacava as belezas naturais e a história literária da ilha. Dylan ficou maravilhado com a ideia de tocar na terra do poeta inglês Lord Tennyson e aceitou o convite.

Fator Jimi Hendrix

Em 1970, o palco do Isle of Wight foi o local do penúltimo show da vida de Jimi Hendrix - morto um mês depois. A presença do deus da guitarra trouxe uma onda de bandas e músicos como The Who, The Doors (no vídeo abaixo), Joni Mitchell, Miles Davis, Joan Baez e Leonard Cohen. Este é considerado o melhor e também o último ano do Isle of Wight original, que contou com mais de meio milhão de hippies dançando pela ilha nos cinco dias de evento, número maior do que o público do Woodstock.

O monstro da ilha

A comoção foi tão grande na edição de 1970 que uma multidão sem ingressos passou por cima das grades de proteção. Em 1º de setembro de 1970, Ron Foulk deu seu recado: “Esse foi o último Isle of Wight. Começou como um sonho lindo, mas saiu do controle e se tornou um monstro”. No ano seguinte, o Parlamento Britânico aprovou a “Lei Isle of Wight”, que proíbe eventos com mais de cinco mil pessoas na ilha sem uma licença especial.

Da platéia ao palco

Gilberto Gil e Caetano Veloso, na época exilados em Londres, foram assistir a Jimi Hendrix e Miles Davis em 1970. O show de Miles, com apenas uma música chamada Call it Anything, tinha o brasileiro Airto Moreira na percussão. Ao fim da música, ouviu-se ao microfone: “Os músicos brasileiros Gilberto Gil e Caetano Veloso estão convidados por Miles Davis para ir ao backstage!”. O chamado foi feito pelo percussionista Airto que avistou os músicos na platéia e apresentou Miles Davis aos tropicalistas. No terceiro dia do festival, Gil e Caetano se apresentaram no palco com mais de uma dezena de brasileiros, incluindo Gal Costa e os músicos d’A Bolha. O grupo protagonizou cenas que envolviam uma roupa coletiva de plástico vermelho, criação de uma artista plástica francesa, e vários ficaram nus no palco ao fim do show

David Bowie para afogar as mágoas

Em 2004, na terceira edição do novo Isle of Wight, a atmosfera de música do festival foi trocada pela do futebol. No domingo à tarde, a Inglaterra estava jogando contra a França pela Eurocopa e a partida era mostrada nos telões espalhados pela ilha, o que fez a platéia esquecer dos shows que aconteciam ao redor. O clima ficou pesado quando a Inglaterra perdeu nos últimos minutos por 2 a 1 com um gol de Zidane. Entretanto, assim que David Bowie subiu ao palco, o público voltou a se animar.

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