'Foi um enorme privilégio trabalhar no teatro', diz Jamil Maluf

Maestro, que deixa o Teatro Municipal, diz que está 'entristecido, mas em paz'

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 15h47

O maestro Jamil Maluf se disse surpreso com a decisão de afastá-lo da direção da Orquestra Experimental de Repertório, anunciada na manhã de hoje. Ele criou a orquestra em 1990 e a dirigiu desde então. "Na quinta, me pediram que reencaminhasse à Fundação Teatro Municipal um projeto de educação musical, chamado Corredor Sinfônico, que me foi encomendado pelo secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira. E hoje cedo veio a convocação para a reunião com o Jose Luiz Herencia (diretor da fundação), com que tive uma conversa tranquilo. Ao saber que eles pretendiam me exonerar, sugeri que aceitassem meu pedido de aposentadoria, ao qual tenho direito pelo tempo de trabalho que dediquei ao teatro.”

Em entrevista ao Estado, Maluf se disse “feliz” por tudo o que fez durante os 35 anos em que esteve no Teatro Municipal, primeiro trabalhando com a Sinfônica Jovem e, em seguida, com a Experimental. “É claro que estou entristecido, mas ao mesmo tempo me dou conta de que este é um privilégio ao qual poucos maestros têm acesso ao longo da vida: criar uma orquestra e manter-se à frente dela por 23 anos”, disse.

Para Maluf, ele deixa a orquestra “em um momento fulgurante”, reconhecida pela crítica e pelo público. “O Teatro Municipal foi a minha vida, o que eu sou eu devo à instituição. Meu trabalho está registrado na memória das pessoas, na história deste palco. Sei que ajudei a formar gerações de instrumentistas, de cantores. Estou em paz”, afirmou o maestro, que disse que agora vai tentar descansar “um pouco”. “Eu não consigo parar de criar.”

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