Flautista recupera obra de Camargo Guarnieri

O compositor paulistano Mozart Camargo Guarnieri deixou uma obra bastante rica e diversificada, que, devido ao tempo e o descaso das autoridades, não atingiu a popularidade que hoje têm no Brasil as criações de Villa-Lobos. Agora, um projeto desenvolvido pelo flautista Rogério Wolff busca resgatar uma parcela desse legado, mais especificamente a produção para flauta de Guarnieri.A intenção de Wolff é unir em um disco parte das composições - antigas e inéditas - levantadas por ele durante anos de pesquisa em acervos brasileiros e, também, na própria casa do compositor. "Falei com a ex-mulher de Guarnieri e ela permitiu que, juntos, entrássemos no estúdio dele, que estava da maneira como ele o deixou, e começássemos a procurar em seus materiais." O resultado da busca inclui, além de peças para piano, flauta e soprano, alguns duos de flauta inéditos, que datam aproximadamente de 89, quatro anos antes da morte do compositor.As outras peças, que completariam o disco, foram garimpadas em acervos brasileiros, mas Wolff esbarrou na má condição desses arquivos. "Aqui no Brasil, é tudo muito mal cuidado e, enquanto lá fora, em especial nos Estados Unidos, há músicos bastante interessados na obra de Guarnieri, aqui as coisas não são bem assim", indica. Vale lembrar que Guarnieri foi um dos principais defensores da preservação e valorização da música brasileira.Além da admiração pela obra de Guarnieri, Wolff - que é flautista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - manifesta, também, profunda admiração pela figura do compositor, que ele teve a chance de conhecer pessoalmente e profissionalmente. "Era amigo da família e convivi bastante com eles, em especial na época em que o filho dele sofreu um acidente de carro", recorda. Wolff chegou a ser regido por Guarnieri na antiga Orquestra Sinfônica Estadual. "Ele estava bem velho, tinha dificuldade em indicar certos malabarismos pedidos na partitura, mas era impressionante a certeza que tinha a respeito de suas intenções e a exigência em relação aos músicos."Para realizar este trabalho, Wolff afirma não precisar de muito dinheiro. "Com cerca de R$ 40 mil, é possível gravar o disco, mas está difícil encontrar alguém disposto a investir no resgate da cultura nacional", afirma. "Para o músico, é muito complicado fazer tudo: achar as peças, promover a revisão delas, buscar patrocínio, esquematizar a distribuição", completa. Quem quiser investir no projeto de Wolff podem entrar em contato com o próprio músico pelo telefone 11- 9703-7856.

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