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Fitz and the Tantrums tenta roubar a cena no Lollapalooza deste ano

Banda que saiu das redes sociais é um dos destaques do festival

O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 03h00

Um dos grupos-sensação do Lollapalooza Festival, o americano Fitz and the Tantrums é filhote das redes sociais: deve sua fama-relâmpago ao Twitter. Aconteceu o seguinte: há uns 7 anos, eles entraram no estúdio que há no quarto do seu vocalista e líder, Michael Fitzpatrick, o Fitz, para gravar um disco que não sabiam bem onde ia dar. Logo depois, foram cantar num programa matinal, numa estação de rádio, KCRW. Um tatuador de Nova York ouviu o programa e comprou seu EP pela internet. 

Um dos clientes ilustres do tatuador era o vocalista da banda Maroon 5, Adam Levine. Durante uma tattoo, o rapaz fez questão de mostrar a Levine o novo som que tinha descoberto. Bingo! Não demorou e Levine mandou uma mensagem para Fitz pelo Twitter: “Hey, adorei seu som! Que tal abrir shows para a gente?”.

“No início, pensei que era brincadeira”, contou Fitz, falando ao Estado por telefone de Los Angeles, onde a banda é baseada. Ele e a cantora Noelle Scaggs são os vocalistas do grupo, que tem ainda o saxofonista James King, o tecladista Jeremy Ruzumma, o baixista Joseph Karnes e o baterista John Wicks. “Tanto profissional quanto pessoalmente, aquilo nos impulsionou para a frente.”

 

Desde então, o grupo virou atração em festivais importantes, como Coachella, SXSW e Lollapalooza, e gravou dois discos: Pickin’Up the Pieces (2010) e More Than Just a Dream (2013). Misturando soul retrô com o R&B mais moderno, abraçando a diversão como moto-contínuo e o passado como ponte, eles chegam ao Brasil pela primeira vez em março. Leia a entrevista com Michael Fitzpatrick, que falou enquanto dirigia pelas highways de LA.

Vocês, às vezes, soam um pouco com o Hot Chip. Você gosta do som deles? 

Amo. É uma grande banda, e eles têm muita inovação no seu som, especialmente nos discos. Têm o tipo de energia que a gente adora, então eu acho essa comparação extremamente lisonjeira.

Você também gravou uma cover do Eurythmics, Sweet Dreams (Are Made of This). Essas duas referências podem ser uma pista para elucidar seu som?

Um dos pontos de referência é a new wave dos anos 1980. Sempre fez a minha cabeça. Também amo fazer covers, mas nunca para repetir aquilo que já foi feito. Meu negócio é buscar um jeito totalmente diferente de gravar de novo, uma maneira pop.

Ultimamente, grandes bandas de rock estão enveredando pelo pop, estão mais para Madonna hoje do que para Black Sabbath. Cito o caso, por exemplo, do Arcade Fire e mesmo o Maroon 5.

A música pop sempre esteve em todo lugar, percorre e abre caminhos de todo tipo. É verdade o que você diz, tem muita banda de rock tornando-se pop para sobreviver. Por um lado, isso é bom, mas, por outro, não é. O que eu acho é que a maior parte deles acha que a definição do pop é algo que você ouve uma vez e aquilo vai ficar sempre na sua cabeça. Mas não é tão simples, não é pela facilidade que o pop sedimenta sua presença. É pela qualidade. Acho que o Maroon 5 achou um bom caminho.

Vocês foram rotulados como soul retrô e como R&B híbrido. Como prefere ser definido?

Acho que temos tantas influências e tantos estilos formam nossa música que não ficamos satisfeitos somente com uma face da música. Procuramos dar uma pegada mais agressiva, tem um sentido de urbanidade no que fazemos, mas nosso barato é mesmo misturar todo tipo de música. Não é que seja uma fórmula, mas, se a mistura resulta numa boa canção, isso é o que realmente importa. Outra coisa que eu prezo muito é a renovação musical, não ficar parado.

E quanto ao show ao vivo, qual é a preocupação?

Somos quatro pessoas tocando e duas cantando, tentando construir a reputação de entregar um show de alta efervescência, muita energia. Somos muitos na banda, seis pessoas, mas nunca foi um problema para a gente desde que gravamos nosso primeiro EP em Los Angeles. É até mais fácil. Eu e Noelle temos uma dinâmica totalmente diferente no palco, às vezes, disputamos um pouco, tem sempre uma certa rivalidade entre vocalistas, mas isso é bom, evita o relaxamento. Vocalistas geralmente são competitivos, e isso às vezes resulta em grandes performances.

O que sabe sobre a música do Brasil?

Somos de Los Angeles, aqui vive Sérgio Mendes, um gênio musical. Nosso saxofonista, James King, é o cara que tem mais paixão pela música black, que é muito forte no Brasil. Ele é o que sabe mais das figuras-chave. Mas vamos tentar fazer um cover brasileiro no show, ainda não sei o que vai ser, mas vamos tentar.

LOLLAPALOOZA

Autódromo de Interlagos. Avenida Senador Teotônio Vilela, 261. Dias 28 e 29 de março, horários ainda não foram definidos. Ingressos: R$ 380 a R$ 660.

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