Fito Paez faz show e divulga filme

O cantor, escritor, roteirista, cineasta e compositor argentino Fito Paez usa a expressão "mala leche" com bastante freqüência para designar o mau humor e certa "má-fé" de que acusa alguns críticos ao abordarem o seu trabalho. Sua franqueza tem lhe custado muitos inimigos ao longo de uma longa carreira.Grande estrela pop daquele país, Fito volta a se apresentar no Brasil nesta quinta-feira, no Directv Music Hall, após meses divulgando seu longa-metragem de estréia, Vidas Privadas. O filme também estréia este mês em São Paulo e Rio, como convidado do Cinesul 2002 - Festival Latino-Americano de Cinema e Vídeo.Voltar aos shows, para ele, não é algo alheio à atividade que exerceu no cinema. "Sempre digo que não tenho carreira, porque não corro contra ninguém", brinca o cantor-cineasta. "Minha vida é um estar no mundo, trabalhando com as palavras e as pessoas."A volta ao palco brasileiro se dá com Fito acompanhado de um quinteto, "um grupo refinado de garagem", como diz. "Decidimos o set list 15 minutos antes de subirmos ao palco", revela. Depois desses shows, conta o cantor, a banda volta ao estúdio para gravar seu novo álbum.Ele afirma que os grandes jornais diários do seu país, como o Clarín, são "mala leche" da expressão crítica, instituições que ele considera "parte do organismo que arruinou o país". E arremata: "Para mim é um orgulho que não gostem do meu filme."Os políticos, a gestão Duhalde, os economistas: ninguém escapa da metralhadora giratória de Paez. "A política é parte de um mecanismo argentino muito mesquinho e diabólico." O filme de Fito, Vidas Privadas, passou pelos festivais de San Sebastian, Veron, Valência, Miami, Havana, Chicago. Estreou em Buenos Aires "na mesma semana em que fecharam os bancos" e fez 35 mil espectadores lá. O filme, que tem a mulher do cantor como estrela principal (a atriz Cecilia Roth, uma das melhores do cinema e teatro argentinos), trata das conseqüências da ditadura argentina na vida de pessoas comuns.O cantor festeja, como todo mundo, o surgimento de uma nova geração de cineastas argentinos. "Há gente com talento extraordinário, como Lucrecia Martel, Adrian Caetano e Luiz Ortega, gente que está fazendo filmes com nada", diz Fito. Pessoalmente, o cineasta-cantor diz que não tem buscado referências novas na arte cinematográfica. "Tenho visto muitos filmes velhos", conta. "Vi toda a obra de John Cassavetes, os filmes de Griffith, Eisenstein, Bresson." Não quer, no entanto, ter seu trabalho comparado com ninguém. "Acho um pouco precipitado, terei de fazer muitos filmes ainda para saber se tenho mesmo um estilo."Serviço - Fito Paez. Quinta-feira, às 21h30. De R$ 20,00 a R$ 40 00 (estudantes); e R$ 40,00 a R$ 80,00. Directv Music Hall. Avenida dos Jamaris, 213, São Paulo, tel. 5643-2500. Patrocínio: Volkswagen Polo

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