Fischerspooner prepara-se para conquistar o pop

Eles encerram o ano como uma das bandasmais festejadas de Nova York. A dupla Fischerspooner, creditadacomo uma das maiores forças por trás da cena internacional doelectro, assinou um contrato milionário com uma grande gravadora, fez trabalhos com Kylie Minogue e ganhou muito espaço na mídia.Tudo isso foi apenas aquecimento para a temporada do grupo apartir da virada do ano, quando o álbum #1 chega ao mercadointernacional acompanhado de um DVD e uma pesada campanhapromocional.Além do trabalho, a carreira do Fischerspooner também não temnada de convencional. O artista plástico Casey Spooner e odiretor de comerciais e produtor musical Warren Fischerresolveram se reunir para fazer a trilha sonora de um filmeexperimental que a mulher de Fischer, Karen, estava produzindo.Acabaram resolvendo fazer uma apresentação em uma filial da redede coffee shops Starbucks.De acordo com Spooner, o projeto era apenas uma reação à faltade opções culturais que reinava na noite nova-iroquina durante omandato do prefeito Rudolph Giuliani, que fechou vários clubes ebares em nome do programa de "qualidade de vida". Segundo ocantor, o clima de fim de milênio também estava deixando tudo"sem cor". "Só queria fazer algo para celebrar", disse ele,em entrevista exclusiva à Planet Pop. "Se o mundo ia acabar eeu morreria, queria ir embora botando para quebrar."Com raras apresentações superproduzidas em galerias de arte euma participação no festival Electroclash 2001, o Fischerspoonerreuniu uma fiel legião de fãs e foi descoberto pelo selo alemãoGigolo Records. Acompanhados de uma trupe de 18 dançarinos,coreógrafos e outros profissionais, eles fizeram a primeiraturnê pela Europa e viraram um dos nomes mais promissores damúsica eletrônica internacional.Com a assinatura de um contrato de US$ 2 milhões (pouco comumpara artistas alternativos), o disco #1, que havia aparecidonas lojas apenas em esquema independente, foi lançado com novasfaixas na Inglaterra em julho, levando o Fischerspooner a fazeraparições em programas como o Top of the Pops (o concorridoGlobo de Ouro do país). Com mais estrutura, o Fischerspoonerpôde desenvolver um elaborado trabalho visual de fazer inveja aMadonna.O videoclipe da música Emerge, por exemplo, tem inúmerastrocas de figurinos e cenários, cenas rodadas embaixo da água emuitos efeitos especiais. O curta-metragem Sweetness (umclipe complementado por diálogos) tem movimentos vertiginosos decâmera e uma fotografia digna de filme de arte.Em cada uma das aparições, Spooner é transformado em umpersonagem distinto, com perucas e acessórios que, em vez deseguirem as tendências de moda mais óbvias, buscam inspiração nocinema de Bollywood dos anos 60 e outros universos menosexplorados. "Para todas as músicas que escrevo, eu desenvolvona hora o roteiro de um videoclipe na minha cabeça", diz ele."Muitos deles, claro, não chegam a ser feitos."Na virada de 2003, eles finalmente ganham um lançamento emgrande estilo nos Estados Unidos. Pela primeira vez, a gravadoraCapitol lança um pacote que inclui o CD da dupla acompanhado porum DVD com os trabalhos em vídeo. Eles preparam uma turnê porvários países da Europa e o lançamento do single de The 15th, um cover obscuro da banda inglesa dos anos 70 Wire.Ficar no underground não está nos planos do Fischerpooner. "Nãoquero vender apenas no ´mundinho dos descolados´, quero ir paraa rede de lojas Best Buy, conquistar a classe média americana",explica Spooner. "A idéia é levar isso o mais longe possível,até que acabe ou que todo mundo passe odiar tudo." Se dependerda qualidade do trabalho e da determinação do grupo, eles têmtudo para garantir um lugar no pop por um bom tempo.

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