Christian Petersen/Getty Images/AFP
Christian Petersen/Getty Images/AFP

Final de ano tem congestionamento de shows internacionais em São Paulo

Crise não derruba a safra de 2017, que terá ainda de U2 a Paul McCartney

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2017 | 07h00

Algo na equação parece não fechar. Em uma economia ainda em crise, uma concentração de shows internacionais congestiona os palcos de São Paulo nesta reta final do ano. Depois do Rock in Rio, a lista de opções ainda é grande para 2017. E só faltam três meses para acabar o ano. 

A versão paulistana do Rock in Rio, o São Paulo Trip, termina na próxima terça-feira com Guns N’ Roses mais Alice Cooper. Aí vem outubro. Dia 15, Paul McCartney volta com suas três horas de show ao Allianz Parque, dia 18 terá Julian Casablancas no Cine Joia e o blueseiro John Mayer no Allianz Parque. Dias 19, 21, 22 e 25, Noel Gallagher abre para o U2 no Morumbi. Quatro noites com ingressos ainda disponíveis. Quatro Morumbis lotados seria um marco para a história. Quando novembro chegar, Green Day vem logo no dia 3 para a Arena Anhembi. E até o fim do mês terá PJ Harvey no Memorial da América Latina, dia 15, e Bruno Mars, 22 e 23, no Morumbi. E antes que as portas se fechem, o Arcade Fire toca dia 9 de dezembro, no Anhembi, e dia 13, os setentões do Deep Purple e do Lynyrd Skynyrd se juntam para uma noite no Allianz Parque.

O fluxo que mais se parece com um festival de rock pulverizado em três meses de um ano ainda sob efeitos da crise financeira não tem explicação tão visível. Para alguns produtores, as pessoas continuam gastando dinheiro com shows porque ele sai de uma reserva doméstica chamada “entretenimento”. “As pessoas têm um bolso para o entretenimento: cinema, jantar fora, show, festival. Na crise, nossa concorrência fica maior, então temos que entregar um produto ainda melhor. Além isso, ampliamos o parcelamento, de seis para oito vezes sem juros”, disse Roberta Medina, vice-presidente da Cidade do Rock e filha do mentor do Rock in Rio, Roberto Medina. Ela explica que a decisão de se investir ainda mais no festival se deveu à necessidade de que ele se tornasse uma opção de lazer mais atraente aos olhos do público, seletivo por ter menos dinheiro para gastos com entretenimento. A despeito da crise econômica no País, especialmente dramática no Estado do Rio, foram destinados para esta edição R$ 200 milhões, sem que houvesse o estímulo da renúncia fiscal.

Seu pai, Roberto, já havia dito em entrevista ao Estado dias antes da abertura do festival que, ao se dispor a turbinar os investimentos, contribui para que o Rio dê a volta por cima na crise. “Quis um evento muito maior. É a minha contribuição nesse cenário. Não adianta você ir bem, tem que ser numa cidade em que se valha a pena viver. Não é altruísmo meu”, declarou.

Luiz Calainho, empresário do show biz e dono da produtora Musickeria, que acaba de abrir, com outros sócios, a casa Blue Note no Rio de Janeiro, a primeira no Brasil, diz o seguinte sobre o impacto da crise no momento de se trazer um artista do porte de um superstar. “É evidente que sempre há um componente maior de risco nesse cenário. O que temos visto no mercado é que, quando há paixão pelo artista, a emoção fala mais alto. Os índices de venda das megaproduções têm sido bastante satisfatórios.”

Sobre trabalhar em segurança para que a casa não se torne uma aventura passageira a ser engolida pelos revezes da economia, ele diz: “A dinâmica econômica do Blue Note é composta por um tripé. Nós temos: 1) O segmento de alimentação e bebidas, sob liderança do chef carioca Pedro de Artagão. 2) Os nossos patrocinadores e 3) Os tickets dos shows. Essa composição dos três pilares mantém as receitas do negócio equilibradas”.

Lu Araújo faz muitas vezes na unha um dos melhores festivais de música do País, o Mimo, que passa por cidades históricas do Brasil com atrações brasileiras e internacionais. Como ela faz para viabilizar shows internacionais de porte no Brasil? “Tem sido um grande desafio manter um festival internacional no Brasil com a crise, o dólar muito alto e cachês internacionais que não levam isso em consideração. Na verdade, a grande maioria dos cachês artísticos são pensados em dólar ou euro, mas a questão é que, com a nossa moeda desvalorizada, pagamos quatro vezes mais esses cachês. Se tivéssemos equiparação entre as moedas, isto seria diferente.”

O fato de o Brasil não estar geograficamente na rota das turnês encarece tudo, segundo Lu. “Isso faz com que as propostas venham mais caras, em muitos casos. Eles consideram a distância das viagens internacionais, os dias off porque precisam descansar, as distâncias internas e mesmo o risco com a violência. Tudo isso é calculado e muitas vezes embutido nos cachês.” / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

Tudo o que sabemos sobre:
Alice Cooper

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.