Filhos do barulho, Zyon e Igor Cavalera seguem passos do pai e do tio

Nascida nos Estados Unidos, segunda geração da família formou o Lody Kong e não quer soar como a primeira e busca sua própria influência

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2014 | 02h00

Os filhos naturais de Max Cavalera, Zyon (bateria) e Igor (guitarra), nasceram nos Estados Unidos e cresceram em Phoenix, Arizona. Passaram boa parte da infância em ônibus de turnês e em camarins de festivais, e ganharam gosto pela coisa.

Hoje, os dois encabeçam o grupo de metal Lody Kong, que está em turnê nesse momento nos Estados Unidos e Canadá. Death metal sujo, agressivo, industrial, o som dos meninos dignifica paulada a paulada o som dos Cavaleras da primeira geração. E o mais curioso é que, embora não tenha tocado no Brasil, a banda já tem fã-clube nacional. 

Zyon também toca bateria no Soulfly, naquilo que a imprensa especializada já chamou de “Maximum Cavalera”, por reunir duas gerações. “Zyon está com 21 anos, faz até dois shows por dia nessa temporada porque a banda dele abre a turnê do Soulfly e depois ele toca bateria no próprio Soulfly”, comemorou o orgulhoso pai, Max. Que lambe a cria, mas avisa: “No Cavalera Conspiracy, é o tio dele, o Iggor, quem manda na bateria, metendo bronca, e acho que vai ser muito legal essa nossa nova turnê pelo Brasil”. O primeiro videoclipe do Lody Kong foi o single Monkeys Always Look, dirigido por Joey Nugent e filmado na cidade natal dos garotos, Phoenix, no Arizona (para onde Max Cavalera se mudou com a mulher, a americana Gloria, em meados dos anos 1990). A música pertence ao álbum No Rules, que foi produzido por Roy Mayorga (dos grupos Stone Sour e Soulfly). A banda tem ainda John Bauer (guitarra) e Shea “Shanks” Fahey (baixo). Nugent também dirigiu o ultrabarulhento Some Pulp.

Além de Zyon e Igor, Max também tem três filhos adotados: Roxanne, Jason e Richie. “A batida do coração do Zyon é que abre o disco Chaos A.D., gravada quando ele estava na barriga da mãe dele. Tudo adulto já. São músicos, e é legal para mim ver as aventuras deles com a música, formando suas bandas, ralando. Eu não dou nada de graça pra eles, têm que ralar. Me deixa muito orgulhoso aonde eles estão indo com a música, é muito legal”, diz o pai.

Os garotos acabam de gravar seu primeiro disco, que esperam levar a selos de metal para apreciação em setembro ou outubro. Têm selos independentes e duas gravadoras grandes interessadas. Assim como às bandas dos veteranos da família, a mãe dos garotos, a promotora Gloria, também os agencia – Igor deixou a escola aos 16 anos para perseguir seu sonho musical, e os pais o incentivaram. 

“Nós não queremos ser como Sepultura ou Soulfly, somos um pouco mais experimentais”, diz Igor Cavalera, rejeitando comparações. “As pessoas esperam que façamos um álbum que vá soar exatamente como Chaos A.D. ou algo que possa soar tão bom como Roots. Na verdade, queremos fazer algo totalmente diferente daquilo. Amamos aquela música, mas não queremos copiar, quero meu próprio som, assim como Zyon. Meus pais sempre me advertiram que, se eu quisesse montar uma banda, teria que estar preparado para críticas e comparações. Aprendi a lidar com isso, e sempre é legal pensar que estou em uma banda”, disse Igor.

“Muitas coisas do Lody Kong não tem realmente uma guitarra à frente, é mais um monte de riffs crus e batidas pesadas”, disse ele, sobre o novo álbum. “Muita gente nos chama de um tipo de banda de metal grunge. Se você ouve No Rules (primeiro EP da banda), vai sentir bastante influências de Bleach, do Nirvana, além dos Melvins e tranqueiras como aquelas. Se você ouvir nossas novas composições, vai ver que ouve mais coisas como Nailbomb e trash metal do tipo do Nuclear Assault”, conceitua.

Ele admite que o grunge dos anos 1990 e o punk rock dos anos 1980 alimentam o som do grupo, mais do que as preferências sonoras do pai (como Morbid Angel, Obituary e Napalm Death).

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