Damon Casarez/The Washington Post
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Filho de Eddie Van Halen, Wolfgang Van Halen lança seu primeiro álbum

Disco 'Mammoth WVH' estava pronto desde 2017, mas artista pretendia lançá-lo como abertura de uma turnê final do Van Halen que não chegou a acontecer

Geoff Edgers, The Washington Post

07 de junho de 2021 | 20h00

O grande plano, como Wolfgang Van Halen disse ao pai no final de 2019, agradaria a todos. Uma última turnê do Van Halen. Eddie, o lendário guitarrista, e o irmão Alex, o baterista, trariam de volta o cantor original David Lee Roth e seu substituto, Sammy Hagar. Eles também recrutariam Michael Anthony, o baixista substituído por um Wolfgang adolescente em 2007.

E, para fechar com chave de ouro aquele plano, o show de abertura seria de ninguém menos que Wolfgang Van Halen.

Os fãs enlouqueceriam, revivendo o passado da banda icônica com as canções Unchained e Why Can’t This Be Love em um único show. E Wolfgang, que estava esperando para lançar seu álbum solo de estreia, um álbum pop pesado em que ele tocou todos os instrumentos, finalmente teria seu próprio lançamento de carreira.

Olhando para trás, Wolfgang se pergunta se tudo não passou de um sonho. No final de 2017, os médicos diagnosticaram Eddie Van Halen com câncer de pulmão em estágio 4 e disseram que ele poderia não sobreviver aquele ano. Mas Eddie não deu ouvidos. Ele voou para a Alemanha para fazer tratamentos e teve a sensação de estabilizar seu quadro, o que permitiu que ele aparecesse no estúdio enquanto seu filho gravava seu primeiro álbum. Depois de um tempo, quando o câncer se espalhou para a coluna e o cérebro do guitarrista, as idas ao Hospital St. John’s se tornaram mais frequentes.

Então, na primavera de 2020, surgiu a pandemia de covid-19, interrompendo o que restava da vida normal. As turnês, como tudo no mais, foram paralisadas. E apenas alguns meses depois, em 6 de outubro, o grande Eddie Van Halen morreu de câncer aos 65 anos.

Agora, com 30 anos, Wolfgang Van Halen está com dificuldades em lidar com a morte de seu pai, mesmo enquanto está prestes a lançar seu primeiro álbum, Mammoth WVH, e passar o verão abrindo shows em estádios para o Guns N’Roses. É um momento emocionante para Wolfie, como ele é conhecido pela família e pelos amigos. Mas ele continua triste e mais do que bravo por achar que a pandemia alterou o que deveria ter sido o bis final de seu pai.

Se não houvesse a covid-19, ele raciocina, talvez o pai tivesse viajado para a Alemanha para realizar mais sessões de radioterapia. Talvez no verão de 2020, em vez de ele ficar do lado de fora da janela da casa de seu pai para vê-lo, ou ainda ficar ao lado dele em um leito de hospital enquanto morria, eles estivessem na estrada juntos pela última vez. 

“Do jeito que imaginamos, se eu abrisse para o Van Halen, ele viria e tocaria um solo para uma música. Esse teria sido o maior de todos os meus sonhos”, diz Wolfgang. “Vou odiar para sempre a covid-19 e a forma como lidaram com ela”, acrescenta ele, em uma repreensão política incomumente afiada, “porque eles roubaram esse momento de mim”.

Em uma noite de segunda-feira em abril, Wolfgang Van Halen está vestido com seu uniforme padrão, um moletom com capuz preto e um jeans combinando. E está sentado atrás de uma mesa de mixagem sob uma parede cheia de guitarras. Este é o 5150, o estúdio usado pela Van Halen por mais de três décadas e agora por Wolfgang.

Ele clica em seu telefone para compartilhar demos de músicas que podem ser escutadas em seu primeiro álbum. O estridente Resolve surgiu durante uma passagem em Buffalo em 2015, Horribly Right, em um quarto de hotel na cidade de Nova York durante a mesma turnê. Ele também toca uma versão inicial de Distance, uma música lançada em dezembro com um vídeo de partir o coração, que chegou ao primeiro lugar nas paradas. Juntando imagens caseiras, o clipe abre com Eddie, por volta de 1991, embalando um Wolfie bebê e termina com ele comendo um chocolate na poltrona de um cinema ao lado de seu filho único adulto. Aquela sessão de It – A Coisa, em 2017, seria uma das últimas saídas despreocupadas deles.

Mammoth WVH poderia ter sido lançado há três anos. Estava pronto. Exceto que, no final de 2017, naquela sessão de It – A Coisa, Eddie não conseguia parar de tossir. Ele foi ao médico logo depois e recebeu o terrível diagnóstico. Foi quando a carreira de Wolfgang entrou em modo de espera.

“Ed o encorajava a lançar (o álbum)”, disse Valerie Bertinelli, sua mãe e esposa de Van Halen de 1981 até seu divórcio em 2007. “Mas ele simplesmente parou tudo quando Ed foi diagnosticado. Ele me disse: ‘Não vou a lugar nenhum. Ficarei ao lado do meu pai para o que for’”.

Wolfgang Van Halen tinha cerca de oito anos quando seu pai colocou uma pilha de revistas na mesa da cozinha e o fez marcar o compasso de algo que se parecesse com batidas em uma caixa de bateria. Se você for capaz de fazer isso bem”, disse ele ao menino, “isso é como tocar bateria”.

Ele ganhou um kit de bateria completo em seu 10º aniversário e treinou nele ao tocar junto com o álbum de compilação da Van Halen de 1996, Best of: Volume 1, e Enema of the State, do Blink 182. Wolfgang ganhou uma guitarra por volta dos 12 anos.

“No começo, quando Ed e eu ainda estávamos juntos e Wolfie mostrava aptidão para a música, Ed ficava radiante”, diz Bertinelli. “Isso é tudo o que ele sempre quis. Ele queria alguém para tocar com ele.”

A música sempre fez parte da família Van Halen. Jan, o patriarca, começou no clarinete e saxofone em seu país natal, Holanda. Eddie tocava bateria e piano, vencendo competições na adolescência. Ele ouviu Cream e Jimmy Page e mudou seu foco para a guitarra. Alex, o irmão dois anos mais velho, tocava bateria. No início dos anos 1970, eles formaram a Mammoth, que mais tarde passou a se chamar Van Halen.

“Os irmãos Van Halen, como você compete contra os irmãos Van Halen?”, diz Matt Bruck, que começou com Eddie no início de 1990 como um técnico de guitarra antes de passar a ajudar a cogerenciar a EVH Gear, a linha de guitarras projetada por Van Halen. “Não é uma luta justa. Eles são tão talentosos. E Wolf é igualmente talentoso, mas ele tem seu próprio estilo.”

O que parece incomodar alguns fãs do Van Halen. “Wolf”, escreveu um usuário do Twitter chamado FoodieAcademy depois que o herdeiro de Eddie tocou Distance no programa de TV Jimmy Kimmel Live!, em fevereiro. “Não conheço bem a sua música. O que ouvi foi um solo de guitarra de uma nota só. Entediante e sem inspiração e em uma homenagem ao seu lendário pai. Sei que ele te ensinou mais do que isso.”

Wolfgang, que não ignora aqueles que lhe provocam, respondeu. “O solo de Distance é PURA emoção e no auge da música. É por isso que meu pai adorou.” Segue então uma sequência que termina com um emoji de coração vermelho: “(Então vá se f...)”. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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