Filha de Paulinho da Viola estréia em disco

A moça resolveu ser cantora. O pai, que não é de falar muito, foi ver, ouviu e gostou. No começo, gostou apenas o suficiente para aprovar. Depois, foi ver o show no Teatro Rival, no Rio, e ajudou na iluminação e nos ajustes do som. E, finalmente, ajudou a mixar o disco de estréia da "primogênita", que será lançado em show amanhã, no Sesc Pompéia, 37 anos depois do nascimento da moça. A moça é Eliane Faria, primeira dos sete filhos de Paulinho da Viola, o Príncipe do Samba. Além disso, é neta do grande violonista César Faria e sobrinha de Anescarzinho do Salgueiro. Ela reage com afiado senso de humor à pergunta sobre por que está estreando tão tarde. "Ainda assim, estréio bem antes de Clementina de Jesus, não é verdade?"Na verdade, de estreante Eliane Faria não tem nada. Nos últimos anos, cantou com Martinho da Vila, Jamelão, D. Ivone Lara, com a Orquestra Sinfônica de Brasília. Também fez coro num disco do pai, Bebadosamba (BMG Brasil, 1996). A cantora foi criada pelo avô, César, desde os 8 meses de idade. E diz que toda sua infância foi uma espécie de academia de música informal. "É aquele tipo de escola na qual você já tá ali, ouvindo, vendo pessoas. Domingo era o dia em que botavam os discos na vitrola. Minha avó trocava os discos fazendo o almoço. Era Chico Alves, Pixinguinha, muito Jacob do Bandolim."O disco que ela está lançando, Alma Feminina, foi gravado durante show no Sesc Pompéia, em 2001, e traz canções de 17 grandes intérpretes do samba e do choro, como Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Jovelina Pérola Negra, D. Ivone Lara, Dalva de Oliveira, Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Isaurinha Garcia. Ela demorou para lançá-lo porque já estava grávida, na época da gravação, e esperou o momento certo. "Acho que lanço o disco agora porque é o momento certo, é o momento da minha maturidade. Fazer CD é fácil, é só botar 15 músicas ali. Mas quando você vai resumir a sua verdade, escolher seu repertório, tem de ser criterioso."Eliane Faria. Amanhã, às 21 horas; e domingo, às 18 horas. De R$ 7,50 a 15,00. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.