Filha de Djavan lança álbum de estréia

A moça que cantava Curumim no disco que o pai Djavan gravou, em 1989, quer ter mais que sobrenome famoso e voz certinha. Então com 17 anos, a garotinha já costumava dizer que nascera com um microfone nas mãos. Casou, teve um filho, descasou, mudou-se para São Paulo e - a grande novidade - lança-se oficialmente, nesta semana, como intérprete e compositora.Flávia Virgínia, aos 29 anos, é novíssima personagem no time dos rebentos de cantores conhecidos. Contratada pela gravadora Jam Music, do casal Jane Duboc e Paulo Amorim, salta de cabeça no meio artístico com seu primeiro álbum, Livro-Mãe. Um evento fechado a convidados, hoje, no Tom Brasil, irá apresentá-la à imprensa paulista e a amigos.Flávia chega destemida, sem ligar muito para as leis que regem o mercadão dos discos populares. Uma de suas "trangressões" foi não regravar nada do pai, atitude indicada para dar visibilidade aos filhos de peixões. Outra foi não regravar nada de ninguém. Todas as 12 canções são de sua autoria. "Componho desde que tenho 14 anos. Há umas 80 músicas na gaveta", entusiasma-se.Chamar um craque de estúdio, como Max de Castro - uma terceira tentação que poderia ser útil para inseri-la na cena montada em São Paulo pelos filhos-de-cantores da gravadora Trama -, também foi descartada. É ela própria quem assina os detalhes de produção e os arranjos de base, de cordas e de metais.Do pai, quase nada - Durante toda a gravação, Djavan manteve distância. Sem dar palpites, só ouviu o trabalho semipronto. Sua voz aparece na faixa Crescendo e seu violão é usado em Janela. Nesta, Flávia é amparada ainda pelos irmãos João Viana (bateria) e Max Viana (guitarra). A família tem na gaveta um projeto de se lançar como Banda Laia.Flávia Virgínia não sente incômodo ao falar do pai. "Por sorte, sou filha de um grande músico. Acho que tem horas que isso pode incomodar. Mas é natural que as pessoas fiquem curiosas. Aos poucos você vai fazendo seu caminho." Com relação às mudanças que percebe desde o envelhecimeto da primeira leva da MPB, na qual o pai estava, diz que sente uma perda."A diferença é entre recursos de estúdio e cultura musical. Hoje você tem recursos e fica mais concentrado nisso. Por exemplo: você não precisa ter nenhum conhecimento musical para produzir um drum´n´bass, um ritmo que já está pronto. Antigamente, tinha de haver uma cultura muito maior para ser músico. Hoje, tudo é muito especializado. As pessoas não procuram o diferente. Não é marca em nossa geração a procura por coisas que não tenham a ver imediatamente com o que estamos produzindo."A preocupação com tais limitações refletem-se no álbum. Na contramão do que se faz na moderna ordem musical, Flávia não usa loops programados. Prefere pesquisar e procurar saídas em discos africanos e árabes. "Eu não faço um tipo de música só. Meu grande interesse é cavar cada vez mais. Não estou rejeitando dinheiro, fama, nada disso. Mas o meu interesse mesmo é músical."Embora soe mais crua e acústica que seus contemporâneos, não dispensa uma galera de rebentos com sobrenomes de peso. Há pontas de Jairzinho Oliveira (filho de Jair Rodrigues), Max de Castro (filho de Wilson Simonal), Daniel Gonzaga (filho do Gonzaguinha), Eduardo Luqui (filho de Eduardo Araújo), Jay Vaquer (filho de Jane Duboc), Martinália (filha de Martinho da Vila) e Paula Lima, que só precisou soltar a voz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.