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Filha de Buddy Guy, cantora Carlise vem ao País pela primeira vez

Artista, que faz show no Bourbon Street, conta que o Blues foram suas canções de ninar

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2014 | 03h00

O pai dela foi influência declarada de Jimi Hendrix, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Jeff Beck e Keith Richards. Mas, para Carlise Guy, ele era principalmente um exímio cozinheiro – pelo menos até ela chegar à adolescência.

"O churrasco que ele fazia no fundo do quintal era divino", diz Carlise, filha do lendário bluesmen Buddy Guy. "A gente só se deu conta realmente do tamanho do mito dele até que nos tornamos adolescentes. Ele estava o tempo todo em turnê sim, isso é verdade. Mas não era muito diferente de um advogado, de um médico, de um lixeiro, de um motorista de caminhão. Era muito normal para mim, era um pai muito presente. Ficava três semanas fora, mas quando chegava ajudava na tarefa escolar, fazia comida, ia em reunião no colégio. Todo verão nós saíamos juntos nas férias escolares", lembra a cantora.

Pela primeira vez no Brasil, a cantora Carlise Guy vem a São Paulo para mostrar o DNA musical, com a sua própria banda. Faz um único show no dia 8 de maio no Bourbon Street (Rua dos Chanés, 127 – Moema). Sua música é uma mistura de blues, R&B, gospel (ela cantava na igreja) e soul.

E o nome do grupo de Carlise é como se fosse uma negação das lendas do blues (time do qual seu pai faz parte): Nu Blu (ou new blues). "Eu acredito que toda geração tem a própria interpretação ao que nos deixaram os originadores. Temos de achar um novo jeito de entregar a mesma mensagem, temos que criar uma música que tenha a ver com a nossa época, e a nossa responsabilidade. Há tanta coisa nova acontecendo aqui nos Estados Unidos. É um novo sabor, mas é a mesma coisa, contém o mesmo universo: momentos tristes, momentos alegres, sentimento", afirmou a cantora, em entrevista por telefone ao Estado, na tarde de ontem.

"É algo que temos que fazer hoje, enquanto crescemos. Blues tem sido uma espécie de segredo na indústria musical. De um lado, é muito grande. Mas por outro lado ainda não alcança todo mundo. Nosso desafio, como geração, é levar o blues para uma compreensão ainda maior", disse Carlise.

Ela foi revelada por Buddy Guy quando tinha 12 anos. O irmão, Greg, escolheu a guitarra, como o pai, mas ela foi pelo caminho do piano e da voz. "Como professor, ele me apresentou à música de Etta James, de Aretha Franklin. Só exigia que a gente tivesse paixão e entrega pelo que estávamos fazendo. Tentava arrancar a emoção da gente", disse ainda ela.

Ela vem com seu guitarrista, Marc Maddox, e seu baterista, Dan Henley. O restante da banda será completado aqui com músicos brasileiros: Rodrigo Mantovani (baixo), André Youssef (teclado) e Sérgio Duarte (gaita). "Ouvi falar muito bem sobre eles, mal posso esperar para chegar aí e sentar com eles para discutir o repertório."

"Você tem de apreciar a canção, aprender e agradecer, e ter a habilidade de encontrar a minha própria emoção para interpretar a canção. Eu era muito tímida. Meu teste de fogo foi quando tive uma plateia na minha frente, e eu só tinha 12 anos de idade", recorda.

Ela diz que toda a música moderna contribuiu para sua formação, além do background familiar. "Tudo o que eu ouvi, do rock ao country, se tornou parte do que sou. Amo todos os gêneros. Mas também aprendi a reconhecer que o blues está na raiz de muitos desses gêneros. Mesmo o hip-hop, que eles escolheram chamar assim por causa da forma que entregam a canção ao seu público. Mas eu gosto muito de ouvir as letras. Há muita tecnologia na música hoje em dia, muita coisa computadorizada. E eu gosto da ideia de uma banda inteira, orgânica, ouvir o som individual de cada instrumento, a guitarra."

Carlise Guy vem ao Brasil no mesmo momento em que o pai desembarca para outro festival, o Samsung Galaxy Best of Blues, no dia 9. Orgulhoso corujão do blues, não será surpresa se ele estiver na plateia.

CARLISE GUY

Bourbon Street Music Club.Rua dos Chanés, 127, Moema, telefone 5095-6100. Dia 8/5, às 21h30. R$ 50.

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