Hiroyuki Ito/The New York Times
Hiroyuki Ito/The New York Times

Filarmônica de Viena vai abrir temporada 2016 da Cultura Artística

Grupo será regido pelo maestro Valery Gergiev; ao todo, programação tem dez atrações; veja galeria com as atrações

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 09h25

(Atualizada às 20h)

Dois concertos da Orquestra Filarmônica de Viena, nos dias 8 e 9 de março, vão abrir a temporada 2016 da Cultura Artística. O grupo, um dos mais importantes do mundo, será comandado pelo maestro russo Valery Gergiev, em sua primeira visita ao País, e vai tocar obras de Wagner, Mussorgski e Tchaikovski. Ao todo, o Cultura Artística programou dez atrações para o próximo ano - entre elas, outras quatro orquestras sinfônicas.

“São grupos que já estavam contratados há quase dois anos e tem que ser assim: precisamos trabalhar com antecedência para garantir a presença de atrações de alto nível. Mas, claro, com a conjuntura econômica atual, ter uma temporada com cinco grandes orquestras é um esforço grande”, diz o superintendente da Cultura Artística, Frederico Lohmann. “Mas acreditamos que, em momentos assim, é muito importante honrar os compromissos assumidos. A chance de ter uma orquestra como a Filarmônica de Viena na temporada, por exemplo, é algo que acontece uma vez a cada duas décadas, não pode ser desperdiçada”, completa, lembrando que a orquestra esteve no Brasil pela última vez em 1999.

Depois da filarmônica, apresenta-se a Orquestra da Academia Nacional de Santa Cecilia, baseada em Roma, sob regência de Sir Antonio Pappano e com a pianista Beatrice Rana como solista – o repertório inclui composições de Verdi, Tchaikovski e Saint-Saëns. “É um grupo tradicional, respeitado, que está particularmente em um bom momento por conta do trabalho de Antonio Pappano, um maestro bastante associado também à ópera, afinal é diretor do Covent Garden de Londres, e que dará um gostinho desse repertório nos concertos.”

A próxima orquestra da temporada, em setembro, é a Filarmônica de Hamburgo, com o maestro Kent Nagano e o violoncelista Gautier Capuçon e a meio-soprano Mihoko Fujimura como solistas, em programas dedicados a Wagner, Strauss e Bruckner. Em outubro, apresenta-se a Orquestra Tonhalle de Zurique, com Leonel Bringuier e o pianista Nelson Freire, que será o solista no Concerto n.º 1 de Chopin. E, em novembro, encerrando a programação, é a vez da Orquestra Gulbenkian, de Lisboa, com o maestro Lawrence Foster e o violoncelista Antonio Meneses, que vai tocar concertos para violoncelo de Lalo e de Shostakovich.

A temporada, assim, tem dois grupos sinfônicos que se inserem na tradição germânica, um francês, um italiano e um português. “Essa variedade é importante e ficamos felizes de ter dois solistas brasileiros nesse contexto. O Meneses vai estar trabalhando com a Orquestra Gulbenkian em Lisboa e depois virá com ela ao Brasil. Quando começamos a conversar com a Tonhalle, o nome de Nelson Freire apareceu imediatamente, dos dois lados. O maestro Bringuier é um artista jovem, que se diz fascinado pelo pianista”, explica ainda Lohmann.

Na música de câmara, são cinco atrações. “Será interessante para o público ver de perto, pela primeira vez no Brasil, o Quarteto Ebène, que, aliás, acaba de lançar um disco dedicado à música brasileira. Já o violoncelista Jean-Guihen Queiraz vai interpretar as suítes para violoncelo solo de Bach.” Vem ao Brasil também o Jerusalem Festival Chamber Ensemble, comandado pela pianista Elena Bashkirova, para interpretar Schubert, Beethoven, Bartok e Hindemith; o pianista norueguês Leif Ove Andsnes; e os Solistas de Trondheim. “Aqui também há uma variedade interessante.

Teremos quatro pianistas e três violoncelistas – e o violoncelo não é um instrumento que normalmente aparece de forma tão representativa na temporada. Mas, além disso, convidamos também uma jovem trompetista, a Tine Thing Helseth, que vai participar dos concertos dos Solistas do Trondheim, e uma mezzo-soprano, a Mihoko Fujimura.”

A renovação de assinaturas para a temporada da Cultura Artística será realizada entre os dias 3 e 13 de novembro e novas assinaturas poderão ser adquiridas a partir do dia 7 de dezembro. Mais informações podem ser obtidas no site www.culturaartistica.com.br.

Teatro. Além da programação de concertos, 2016 guarda ainda um outro desafio para a Cultura Artística: a construção de seu novo teatro. Em junho, a entidade anunciou a emissão dos alvarás necessários para que as obras pudessem ser iniciadas ainda este ano. “Estamos no final do processo de seleção da construtora que será responsável pela obra. Já temos 95% da verba para que a primeira etapa da construção seja iniciada”, diz Lohmann. “Mas precisamos também, por conta do contexto econômico atual, pensar em um cronograma de obras, que precisa ser validado pelo conselho. Não queremos correr o risco de dar um passo maior que a perna”, explica o superintendente. 

A Cultura Artística diz aguardar o final da seleção para anunciar os valores. “Mas a segunda e a terceira fases vão custar pelo menos duas vezes mais do que a primeira”, acrescenta Frederico Lohmann.


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