Filarmônica de NY tenta diplomacia musical na Coréia do Norte

A Orquestra Filarmônica de Nova York chegou a Pyongyang em meio à neve, na segunda-feira, para tocar a "Sinfonia do Novo Mundo", numa tentativa de descongelar os laços entre os EUA e a Coréia do Norte. A visita inusitada da orquestra ocorre enquanto crescem as pressões internacionais sobre o Estado comunista para que cumpra seu lado de um acordo que o levará a desfazer-se de seu programa de armas nucleares. A mais antiga orquestra americana passará 48 horas na Coréia do Norte, numa visita que culminará na terça-feira num concerto cujo programa vai incluir a "Sinfonia do Novo Mundo", de Antonin Dvorak, e "Um Americano em Paris", de George Gershwin. "Sou músico, não político, mas a música sempre foi uma arena em que as pessoas conseguem fazer contato. Ela é neutra, é emocional", disse o diretor musical da orquestra, Lorin Maazel, a jornalistas no aeroporto. Não se informou se o enigmático líder norte-coreano Kim Jong-il vai assistir ao concerto, mas analistas disseram que a máquina de propaganda política do país quase certamente vai retratar a visita da orquestra como homenagem dos EUA a um homem a quem Washington acusa de patrocinar o terrorismo. Os dois países não têm relações diplomáticas e estão tecnicamente em guerra desde a Guerra da Coréia (1950-1953). A Filarmônica chegou a Pyongyang num avião fretado sul-coreano, vinda de Pequim, e foi recebida pelo vice-ministro da Cultura norte-coreano. Num comboio de ônibus, os músicos percorreram vários quilômetros em estradas desertas pelas quais passavam mais carros de boi que veículos automotivos. À noite, as ruas de Pyongyang -- normalmente escuras por causa da escassez de energia -- foram iluminadas para a passagem do comboio que transportou cerca de 350 pessoas da orquestra, seus assessores e a imprensa que cobre o evento. À medida que os ônibus passavam, a iluminação das ruas ia sendo desligada atrás deles. Pelo espelho retrovisor era possível ler um cartaz iluminado que dizia "esmaguem os agressores imperialistas americanos". Os norte-coreanos prepararam um magnífico show de cantos e danças tradicionais para os visitantes. Os números foram livres de ideologia política até a exibição do último, de dança, sobre uma guerrilheira banhada na luz vermelha do governo comunista. A agência de notícias norte-coreana KCNA lembrou seus leitores na segunda-feira do valor -- político, se não melódico -- da música nativa norte-coreana, como a sinfonia "O Líder Está Sempre Conosco". De acordo com a agência, é a primeira sinfonia mundial sobre o tema da imortalidade do fundador do regime comunista norte-coreano, Kim Il-sung, que morreu em 1994 mas continua presidente para a eternidade. E "Pyongyang é Melhor", outra sinfonia, "é uma expressão sinfônica profunda da idéia de que a Coréia socialista centrada nas massas populares é a melhor do mundo," disse a KCNA.

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