Acervo Pessoal
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Festival serrote debate projetos intelectuais de Brasil

Nova edição do evento da revista do IMS vai discutir projetos de futuro frustrados no País e outros assuntos, neste fim de semana, em São Paulo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2019 | 03h00

A transformação do “desejo projetivo de país” e em constante fracasso na mente de artistas e intelectuais é o tema do ensaio O Brasil Como Frustração, um dos destaques da nova edição da serrote #31. Neste fim de semana, seu autor, o crítico cultural e professor da PUC-Rio Fred Coelho, participa do Festival serrote, sediado pelo IMS em São Paulo, com entrada gratuita. 

A programação começa nesta sexta, 29, com a “serrote ao vivo”, que une leituras, música ao vivo e projeções. No sábado, 30, são três debates. Às 15h, as antropólogas Aparecida Vilaça (UFRJ) e Manuela Carneiro da Cunha (USP) conversam sobre a questão indígena. Às 17h, a jornalista mexicana Alma Guillermoprieto fala sobre seus 40 anos cobrindo conflitos culturais da América Latina. Às 19h, a historiadora Heloisa M. Starling (UFMG) e Fred Coelho discutem história do Brasil e, justamente, a frustração dos projetos mencionados no ensaio.

No texto, o crítico elabora a ideia de que o País atravessou o século 20 com projeções para um futuro melhor, representadas desde as vanguardas dos modernistas, passando pelo cinema e pela política de Glauber Rocha até as ideias de Stefan Zweig e Mário Pedrosa. Quase sempre frustradas, mas projeções.

Ele tenta demonstrar, também, como essas discussões projetivas estão bloqueadas no presente, embora tenha escrito o texto no fim do ano passado, portanto antes de Jair Bolsonaro assumir a presidência. Ao comentar a decisão do presidente comandar militares a celebrarem o golpe militar de 1964, diz, por telefone, que “isso demonstra que o passado ainda está em disputa. No momento, ironicamente, discutimos projeções de passado, não de futuro. Existe uma desassociação de um projeto nacional, que antigamente direitas e esquerdas compartilhavam. O que se disputava não era a ideia do que seria melhor, mas sim como chegar lá. Atualmente não temos caminhos abertos para isso.” Um episódio emblemático recente, recorda-se, foi o incêndio do Museu Nacional, no Rio. 

“A sensação que ficou, para quem se importa com isso, é a de ‘como um país que não consegue preservar o passado vai criar perspectiva de futuro?’”

O ensaio, porém, termina otimista. Referindo-se à necessidade de enfrentar com vigor o desafio do presente, o ensaísta afirma que “ironicamente, talvez essa seja a oportunidade de o Brasil deixar de ser uma frustração para se tornar um campo aberto de experimentações”.

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