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Festival Popload reúne 'estrelas' do antiglamour

The Lumineers, Cat Power, Tame Impala e Metronomy, entre outros, tocam no fim de novembro em SP

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2014 | 03h00

Em sua primeira incursão por terras brasileiras, como atração do festival Popload Gig, no dia 29, a banda norte-americana The Lumineers traz ao País um tipo de música que parecia extinta: um folk rock delicado, cheio de sutilezas, artesanato feito por um grupo com pinta de trupe de saltimbancos. Seu estilo de vida lembra um pouco o da turma de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros.

Esse sentimento não é apenas impressão: os dois fundadores da banda, Wesley Schultz (vocais e violão) e Jeremiah Fraites (bateria e voz) eram de Nova York. Um belo dia, desistiram da metrópole, venderam tudo que tinham e foram morar num trailer nas montanhas do Colorado. 

The Lumineers são atração do segundo dia do festival mais indie da temporada (dizem que é o mais indie desde o Curitiba Pop Festival de 2004), que terá ainda Metronomy (leia abaixo), 2ManyDJs, Pond, Tame Impala, Cat Power, Icona Pop e outros. O Beirut, que também estava no cast, cancelou, mas no lugar dele é provável que seja confirmado uma grande atração essa semana.

The Lumineers fizeram um sucessão com a música Ho Hey, e são hoje comparados a grupos como Mumford & Sons. Foram indicados para 2 Grammys, um deles de artistas revelação. Eles ainda têm na banda os músicos Neyla Pekarek (violoncelo), Stelth Ulvang (piano, bandolim e acordeão) e Bem Wahamaki (baixo). Jeremiah Fraites falou ao Estado por telefone. “É insano pensar que estamos indo ao Brasil”, festejou Fraites, que é a cara do ator Woody Harrelson.

Fazem muitas relações entre vocês e Bob Dylan, o folk dos anos 1960. Mas vocês parecem ter outras referências. Vi que curtem até a banda Whitest Boy Alive, da Escandinávia.

Não me parece natural a comparação com aqueles caras do antigo folk que só faziam música acústica, protestando contra a guerra. Não temos esse caráter político. Temos maior fascinação por cantar histórias e personagens, sendo esses personagens às vezes verdadeiros, às vezes não. 

É verdade a história de que você e Wesley venderam tudo que tinham e foram morar em um trailer nas montanha?

Dizendo assim parece uma loucura, mas morar em um trailer é mais simples do que parece. Somos de New Jersey, e a vida em Nova York estava simplesmente impossível. Tudo muito caro. Nós vivíamos da música e não estava dando para pagar as contas. Então, fomos em busca de um estilo de vida mais barato, rumamos para Denver, Colorado. Tinha ainda um outro motivo: em Nova York, há muitas distrações, você acaba não se concentrado exclusivamente no seu trabalho. Queríamos focar mais, achar algo limpo e simples que representasse o nosso espírito. Por isso não acho corretas as comparações com Dylan ou Donovan, acho que o nosso trabalho transcende os gêneros.

Vocês também compuseram uma canção para a série The Walking Dead. Como aconteceu?

Não foi feita para a série. Era uma canção, Visions of China, que já existia, e nós retrabalhamos. Eles ficaram interessados e achamos legal. Eu não gosto quando pegam algo que não fizemos para aquele fim e utilizam como querem, mas nesse caso foi bacana, nós é que retrabalhamos. No final, ficamos contentes. Não acho que nossa música tenha esse apelo cinemático no sentido que tem a musica do Pink Floyd ou do Radiohead, com a qual foi comparada. Digo isso porque não são canções muito parecidas umas com as outras, e aquelas bandas têm essa característica. Gostamos que soem sempre distintas. Mas eu adoro música de filme, acho que têm a capacidade de realçar sentimentos.

Que tipo de música costumava influenciar vocês?

A gente gostava de muitas coisas: Tom Petty, Cars, Dylan, Beatles. Mas também de artistas de outras praias, como Radiohead, Dream Theater, Jon Brion, entre outros.

ENTREVISTA - Joseph Mount, Tecladista e vocalista do Metronomy

‘Queria capturar o sabor das primeiras bandas que escutei’

Oriundo de Devon, Inglaterra, o quarteto Metronomy é daquelas bandas que o Brasil viu vendo crescer desde o princípio do hype. Em 2009, vieram como novidade ao antigo Planeta Terra Festival. Voltaram em 2011 já com indicação para o Mercury Prize e com um hit planetário, A Thing for Me. Agora, estão em turnê lançando Love Letters, cuja música-tema teve vídeo dirigido por Michael Gondry (cineasta de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Perseguem uma música que é o oposto da agressividade, e ao mesmo tempo nasce da economia de elementos. Joseph Mount, tecladista, guitarrista, vocalista e mentor do quarteto (agora quinteto, com um membro adicional), falou ao Estado por telefone.

Seu disco novo se chama Love Letters. Ninguém mais escreve cartas de amor. Você imaginou um manifesto retrô?

Ninguém mais faz álbuns também, hoje é só streaming. O mundo está mudando na web, e os aspectos dessa mudança ainda são pouco conhecidos. O título do disco é mais ou menos um jeito de dizer que ainda estamos fazendo um esforço de escrever coisas à mão e compor discos com canções que se conectam entre si.

Os vocais de seu novo disco parecem mais harmônicos, às vezes lembram os Beach Boys.

Exatamente. Nós gravamos no mesmo tipo de estúdio que eles gravavam nos anos 1960. Tentamos fazer do mesmo jeito que eles faziam, e entender o que dava aquele sabor especial aos vocais e às harmonias dos anos 1960. Modestamente, queríamos algo parecido com Beatles, Stones, com aquelas primeiras bandas que eu ouvi e que me impressionaram inicialmente.

Há diversos grupos vindo para o mesmo festival que vocês, como Tame Impala, Lumineers. Você se identifica com algum deles?

Não estou muito certo, porque não tenho ouvido muito nenhum deles. Cat Power eu gostava muito de ouvir quando estava na universidade. Mas não precisa ter uma unidade, festivais são sempre uma mistura, cada um busca aquilo com que se identifica mais.

Vocês fizeram turnê pelos Estados Unidos abrindo shows do Coldplay, que é uma banda massiva de pop rock. Que lição tiraram dessa experiência?

Foi uma experiência interessante, porque é um fenômeno de comunicação de grande impacto. Nós estávamos acostumados a públicos menores, e aqueles estádios cheios para ver uma banda de rock é um espanto. É preciso grande habilidade para preencher todo o espaço só com a música. O legal também é que, para nós, é uma chance de apresentar nossa música a mais pessoas, gente que talvez não nos ouvisse de outro modo. / J.M.

OUTRAS ATRAÇÕES

Icona Pop

2ManyDJs

Pond

Boogarins

Rodrigo Amarante


Mixhell

POPLOAD FESTIVAL

Audio Club. Av. Francisco Matarazzo, 694, B. Funda. Dia 28, 20h; dia 29, 19 h. R$ 460/ R$ 1.100.

Veja e ouça sucessos de alguns músicos que tocarão no Popload:

The Lumineers - Ho Hey:

Cat Power - Cherokee:

Metronomy - The Upsetter:

Icona Pop - All Night:

Boogarins - Lucifernandis:

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