Festival de Música Nova de Santos é cancelado

O tradicional Festival de MúsicaNova de Santos, evento dedicado à música contemporânea quecompletaria este mês 40 anos, foi cancelado. A decisão foitomada pelo criador e organizador do festival, o compositorGilberto Mendes, no início da semana, após receber a informaçãode que a Orquestra Sinfônica Municipal e o Quarteto de Cordas dacidade não poderiam participar do evento.Segundo Mendes, o papel da orquestra, assim como o doquarteto dentro da programação eram muito importantes para queos grupos fossem deixados de fora. A orquestra iria abrir ofestival, com um concerto com as obras dos finalistas do 1.ºConcurso Nacional de Composição Gilberto Mendes e o quartetointerpretaria a peça Saudades de Santos, homenagem dafrancesa Françoise Choveaux à cidade. "Sem esses concertos, ofestival ficou tão estropiado, que optei pelo cancelamento",diz Mendes.O cancelamento da participação da orquestra e doquarteto no festival é resultado de um equívoco, assumido pelaprefeitura da cidade, na renovação do contrato com a empresa deônibus que, duas vezes por semana, leva a Santos músicos daorquestra residentes em São Paulo. Segundo a assessoria decomunicação da Secretaria Municipal de Cultura, houve um atrasona renovação do contrato, o que impediu a ida de músicos paraensaios e provocou também o cancelamento das atividades daorquestra durante todo o mês de agosto."Tendo em vista a dificuldade dos programas a seremexecutados, eu não podia apresentá-los sem a quantidade adequadade ensaios, o que provocou o cancelamento dos concertos",explica o maestro Luiz Gustavo Petri, diretor musical daorquestra que, na terça-feira, se reuniu com o secretário dacultura Carlos Pinto e conseguiu garantir a verba para aorquestra pelo menos até o fim do ano. Petri afirma também queos concertos cancelados deverão ser apresentados em setembro.Descaso - Em entrevista à reportagem, Gilberto Mendesafirmou que sua atitude também teve como intenção provocar umamaior discussão a respeito do descaso das autoridades comrelação à cultura. "Todo ano é a mesma dificuldade paraconseguir a verba. Para esta edição, eu havia pedido R$ 50 mil,dos quais recebemos R$ 30 mil após pressão da Câmara. Mas oprefeito (Beto Mansur) me disse que daria um ingresso a cadavereador para ver quem teria ´coragem´ de assistir a um dosconcertos do festival", diz.Na noite de segunda-feira, artistas de diversossegmentos promoveram uma manifestação na Praça Mauá e na SalaPrincesa Isabel da Câmara Municipal após saber da notícia docancelamento do festival, exigindo atitudes da prefeitura quantoà situação da orquestra e o boato de que o grupo seria extinto.Segundo o maestro Petri, no entanto, em nenhum momento asecretaria demonstrou interesse em encerrar as atividades daorquestra.Outro lado - O prefeito Beto Mansur, por meio de suaassessoria de comunicação, disse que prefere não comentar ocancelamento do festival e os assuntos que com ele surgiram.Segundo Tom Barbosa, secretário de Comunicação da prefeitura, oque cabia à administração - a cessão do teatro e a verba para ofestival - foi dado. Barbosa afirma ainda que Mansur preferedeixar o assunto para ser tratado pelo secretário de CulturaCarlos Pinto.Em carta enviada aos meios de comunicação, Pintoressalta que a iniciativa do cancelamento partiu de GilbertoMendes e que a verba, R$ 30 mil, estava garantida para arealização do evento. A carta afirma também que o problemarelacionado ao contrato com a companhia de ônibus já foiresolvido. "Portanto, apesar de admitir essa falha queimpossibilitou a apresentação da Orquestra de Santos e doQuarteto de Cordas, o festival poderia ser muito bem realizado,já que outros excelentes músicos estavam programados." Osecretário encerra a carta dizendo que "faltou bom senso doorganizador nesta sua decisão em cancelar precipitadamente todoo festival".

Agencia Estado,

07 de agosto de 2002 | 16h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.