Festival de música em SP traz Foals, novidade vulcânica do pop

Álbum de estréia da banda, 'Antidotes', mistura batida funky e violinos convulsivos, rock e dance music

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

07 de novembro de 2008 | 15h43

Se aceitassem conselhos no universo pop, só restaria um conselho acertado para esse festival Planeta Terra: não percam o show do Foals por nada neste mundo. É a banda nova mais bacana da última semana do ano passado. Querem ouvir música com sangue nas veias? Tocada por garotos que parecem que estão fazendo o último show de suas vidas? Então não percam o show do Foals por nada neste mundo.  Veja também: Confira a programação completa do Festival Planeta Terra   A banda de Oxford, formada por garotos que parecem ter fugido do intervalo das aulas no Liceu Pasteur, é a mais interessante novidade do rock pós-Franz Ferdinand. Seu álbum de estréia, Antidotes, tem o frescor das coisas que se misturam com naturalidade: uma batida funky e violinos convulsivos; guitarras dissonantes e percussão muscular; afrobeat e krautrock; rock e dance music em doses iguais. "Esse é um tiro de advertência. Seu último chamado. Um necrotério vazio com corações mutilados", diz a letra da fantástica Electric Bloom, cantada quase com um estilo de cão ganindo por Yannis Phillipakis, o baixinho e invocado frontman do grupo, um britânico descendente de gregos inteligente e descolado que não teme ter opiniões fortes. Phillipakis falou ao Estado por telefone, de Londres. Dizem que grupos como vocês e os Battles fazem parte de uma onda chamada de "rock matemático", o math rock. Você concorda?Não, não tem nada a ver. Sei o que querem dizer quando usam esse rótulo, mas eu considero isso apenas uma piada. Nós tentamos tocar pop rock, que é o oposto do que consideram math rock. Acham que um som que soe estranho, bizarro, pode ser definido assim. Mas talvez, se quiserem um rótulo para a gente, o mais adequado seja pós-rock. Somos amigos do pessoal do Battles, mas nós fazemos pop music, e o que eles fazem se aproxima mais de conceito de live art.  Bom, há também aquilo que se convencionou chamar de new rave, que inclui bandas como Klaxons e New Pony Club. Você gosta?Não é do meu gosto pessoal. Ouço muita coisa, e não de um gênero só. Gosto muito da old school, do krautrock de bandas como Can.  De vez em quando, volta à tona a idéia de que o rock britânico se divide em experimental, e aí estaria o Radiohead, e o som de pulsão primal, e aí estaria o Oasis. Vocês ficam de que lado?Essa coisa me lembra a imagem de um cachorro procurando uma presa perdida na mata. É a indústria em busca de seu rabo perdido. A indústria britânica de música vive de vender essas polarizações. O mainstream busca isso para sobreviver. Radiohead é uma exceção, eles mudam conforme o tempo passa, não se fixam em rótulos. A indústria não apóia o que é mais ousado. O que vejo é uma predominância de bandas que soam exatamente iguais às de 20 anos atrás. E até se vestem e cheiram como aquelas bandas de 20 anos atrás. Parecem cadáveres reanimados. As bandas do passado que eu admiro, como o Cure, tentam ir adiante. A verdadeira questão hoje é separar o que é real do que é irreal. Seu pai era grego, não? Você se julga influenciado por essa cultura paterna?Sim, meu pai veio da Grécia nos anos 60. De certa forma eu me sinto conectado, gosto do som de alguma música folk da Grécia, tenho curiosidade pelos instrumentos típicos. Mas meu pai e minha mãe não ouviam música folclórica. Eles ouviam Jimi Hendrix e Led Zeppelin, como qualquer jovem de suas idades, então não tenho nostalgia de coisas que não conheço. Tem uma música chamada Cassius no seu disco. Alguma conexão com a banda francesa?Nenhuma. É mais como um personagem, todo o disco é composto com diferentes personagens. Essa música fala de conspiração e julgamento, mas não tem nada a ver com a onda francesa. O que sabem sobre o Brasil?Não muito. Conheço a capoeira, tenho amigos que jogam a capoeira na escola. Já ouvi também o Cansei de Ser Sexy. Não é minha preferência, mas eu entendo e compreendo o som. No mais, espero que o Brasil seja o contrário de minha chuvosa terra, que seja colorido e alegre. Teremos 4 dias de folga e tenho um amigo no Brasil. Ele pretende nos mostrar alguma coisa de São Paulo. O Bloc Party também vai estar aí e nós somos amigos, vamos tentar fazer algumas coisas juntos.   Veteranos do Spoon Festivais costumam ter como alicerces nomes conhecidos. Enquanto um dos maiores deles, o Offspring, estiver tocando no palco principal do Planeta Terra, o indie stage será preenchido pelos desconhecidos Spoon. Apesar de seis álbuns lançados e 14 anos de carreira, a banda do loiro vocalista Britt Daniels nunca estourou por aqui. Nos EUA, músicas do grupo podem ser escutadas em seriados como Bones e Simpsons. "Não nos deixamos levar por gêneros. Temos a possibilidade de fazer o tipo de música que gostamos", fala Daniels.  No início, a imprensa comparava sua sonoridade com Pixies e Wire. Hoje, o Spoon é apenas alternative rock. "Escuto de tudo. Adoro Kinks, Clash, LCD Soundsystem, Stevie Wonder." Sobre tocar em um festival em que poucos conhecem suas músicas, Daniels brinca: "Talvez você me ajude a escolher o repertório. Mas devemos tocar músicas dos nossos dois últimos álbuns e The Way We Get By, canção que fez sucesso nos Estados Unidos, mas que não tocamos há algum tempo." (Com Marco Bezzi, do Jornal da Tarde)

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