Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à 39.ª edição

Osesp abre o evento e também faz turnê pelo Interior durante o mês de julho

Patrícia Villaboa, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2008 | 15h36

A Osesp abre o Festival de Inverno de Campos do Jordão, que vai de 5 a 27 de julho. A programação desta 39ª edição explora a ligação entre a música erudita e a literatura, e foi anunciada em entrevista coletiva, pelo diretor artístico do festival, maestro Roberto Minczuk.   Maior evento do gênero na América Latina, o festival terá 50 concertos, conforme disse o maestro na terça, 6. Entre as cerejas da programação está a estréia da peça Capitu, para soprano solista e orquestra sinfônica, de João Ripper, compositor residente deste ano. Carla Camurati dirige a montagem de Os Sete Pecados Capitais, de Kurt Weill e Bertolt Brecht, com a Orquestra do Teatro Municipal do Rio e participação da bailarina Ana Botafogo.   E o concerto de encerramento terá a regência do maestro alemão Kurt Masur. Ao detalhar a programação, Minczuk ressaltou a importância do convívio entre os grandes nomes da música erudita mundial e os estudantes brasileiros de música. "Desde os 11 anos eu participo do festival de Campos. Em 1979, inclusive, tive a oportunidade de tocar sob a regência do maestro Neschling", disse ele. A coletiva de terça-feira foi o primeiro encontro público dos dois maestros depois de um ruidoso desentendimento entre ambos há dois anos, que levou à saída de Minczuk da Osesp.   Osesp vai viajar para o Interior   A Osesp vai viajar e, desta vez, não é para Viena. A orquestra vai subir num ônibus e pegar a estrada, para se apresentar em palcos menos nobres, mas ansiosos por recebê-la, como Limeira, Sorocaba, Itapetininga. É uma turnê especial - Osesp Itinerante -, que começa em 2 de julho e contempla 12 cidades do interior do Estado com 56 concertos.   O projeto foi lançado na terça-feira, 6, pelo secretário de Estado da Cultura, João Sayad, e o maestro João Neschling, na Sala São Paulo. É uma demanda antiga. "Há muito tempo pensamos nisso, porque todos os paulistas pagam seus impostos para ter uma orquestra de nível internacional, e precisam ouvi-la", observou o maestro Neschling. "Mas a Osesp é um paquiderme, difícil de se movimentar."   Para movimentá-la, então, será investido R$ 1,8 milhão, vindo de seu orçamento, de patrocínios por meio de leis de incentivo e também de um apoio do Sesc, que tem ajudado com infra-estrutura, ponto crucial. "A mesma orquestra que toca aqui ou em Viena vai tocar nesses concertos. É uma operação de guerra", comparou Neschling. "É mais fácil mandar a Osesp de avião para Viena do que levá-la a Limeira."   Não há teatros que comportem a Osesp no interior. A produção do evento terá de montar palcos em praças e parques, semelhantes aos dos shows no Ibirapuera. O maestro ressaltou que o projeto é pioneiro - "A Osesp, como sempre, criando jurisprudência" - e vai atingir 72 mil pessoas. Além das apresentações ao ar livre, haverá concertos de câmara e palestras ministradas por Neschling, para o público comum. As inscrições começam hoje, e podem ser feitas no site http://www.osesp.art.br/.

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