Festival da Globo começa hoje

A Rede Globo inicia hoje seu projeto musical mais ambicioso desde que declarou o fim da era dos festivais da canção, em 1985. O novo Festival da Música Brasileira, megaprodução anunciada como um evento criado para renovar a MPB, apresenta seus 12 primeiros concorrentes a partir das 22 horas, no Credicard Hall. Apresentado por Serginho Groisman e com reportagens de bastidores feitas por Maria Paula, Renata Ceribelli e Brito Júnior, o concurso será transmitido ao vivo pela emissora. Cada uma das quatro eliminatórias - as próximas ocorrerão dias 26 de agosto, 2 e 9 de setembro - contará com shows de dois artistas renomados. As participações especiais de hoje serão de Caetano Veloso e Virgínia Rodrigues. Depois da fase eliminatória, três concorrentes serão escolhidos para disputarem a final, marcada para 16 de setembro. Os três primeiros colocados, o melhor intérprete e o ganhador de um prêmio especial do júri dividirão R$ 1 milhão. Em entrevista coletiva realizada quarta-feira, no Credicard Hall, os diretores do festival, Roberto Talma e Solano Ribeiro, explicaram detalhes do evento e falaram sobre suas intenções de recriar o ambiente competitivo dos antigos concursos de música realizados pela redes Record e Globo. Edições regionais Para Talma, o festival deste ano será experimental. Se der certo e ser bem aceito pelo público e pelos telespectadores globais - a emissora aguarda um retorno médio de 26 pontos de audiência -, o concurso voltará dentro de dois anos. "Eu gostaria muito de levar adiante este projeto. Mas a Globo é uma empresa e só poderemos ir mais longe se esta edição der certo. Se houver uma próxima, ela será mais regionalizada", antecipa. Dos 24.190 inscritos, foram classificados 48 compositores de vários Estados. Entre eles, aparecem nomes tarimbados como Chico César, Toninho Horta, José Carlos Costa Neto, Vicente Barreto, Luiz Tatit, Dante Ozzetti e Walter Franco. A grande presença de compositores consagrados tem gerado polêmica. Críticos e membros da própria classe musical perguntam se é coerente a participação de artistas com trabalhos já reconhecidos em um festival que propõe renovação. Talma explica que a presença de músicos consagrados, embora distantes da mídia, é ocasional. Os jurados, segundo o diretor, levaram em consideração apenas as músicas inscritas. As autorias foram mantidas em sigilo para não influenciarem a escolha. "Os jurados usaram números para escolher as músicas e não sabiam quem eram os autores. Walter Franco não foi escolhido. O que foi classificado foi sua música Zen." Sobre possíveis intenções mercadológicas e interferências de diretores de gravadoras na escolha dos finalistas, o diretor foi enfático. "Quero deixar bem claro que não temos o rabo preso com ninguém. Nenhuma gravadora vai opinar ou interferir no concurso." Tom Zé, convidado para compor o júri, decidiu não participar. Alegando problemas de ordem pessoal, o compositor baiano informou ontem, por meio de sua assessoria, que as razões de sua decisão não estão relacionadas à organização do concurso. Festival da Música Brasileira. Sábado, às 22 horas. Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955. Tel.: 5643-2500).

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