Festival da Globo: artistas festejam vitrine

Embora não tenha sido classificada para a final, no dia 16, a cantora Renata Holly é a primeira vencedora do Festival da Música Brasileira. Ela foi contratada pelo produtor Mazzola, especialista em fabricar grandes sucessos populares. Renata defendeu a sua composição Rap da Real na primeira eliminatória, música que criticava a produção atual, como a axé music, o pagode e o sertanejo, mas que pouco difere dela."Ele nem quis ouvir as minhas outras letras, pois disse que confiava no meu trabalho só porque fui a única a ter coragem de cantar um rap", conta. "Foi a vitrine mais importante da minha vida."Para o compositor Luiz Tatit, autor da finalista Show, ao lado de Fábio Tagliaferri, é desnecessária a aversão à música de consumo. "É um festival da Globo e consumo é também produzido ali", afirma. "Nem sempre tivemos música de qualidade e acho importante mostrar todas as características da música popular de hoje." Por que então participar? "Porque é importante aproveitar essa situação, na qual pessoas que já estão há muito tempo criando algo interessante possam deixar a sua produção musical respirar; o Festival está abrindo essa fresta", responde.O sambista Moacyr Luz, que se classificou na segunda eliminatória com o jongo Eu Só Quero Beber Água, afirma ter participado porque não teve acesso ao Brasil e acredita ser agora um bom momento para fazer isso. "Eu quero ser mais ouvido e cantado", declara. "Não quero que a minha música e a de outros, como a de (José Miguel) Wisnik, fique restrita aos centros culturais."Terceira eliminatória - Na segunda eliminatória, a expectativa da TV Globo era de ter ganho mais telespectadores do que na primeira - considerada inferior para a emissora, com média de 20 pontos de audiência. Nada feito. A segunda noite teve uma média de 14 pontos, um número baixíssimo para o padrão global. Para isso, um novo artifício será usado na terceira eliminatória. Haverá o show de abertura de Gabriel, o Pensador e do grupo Cidade Negra.A TV Globo começa a transmitir o festival, realizado no Credicard Hall, a partir das 22h40. Serão apresentadas 12 novas composições, das quais 3 serão escolhidas por um júri de 11 pessoas e concorrerão na final, no dia 16. Os ingressos devem ser trocados por 1 quilo de alimento não-perecível ou um agasalho, na UNE (Rua Vergueiro, 2.485), na CUT (Avenida Arthur de Queiroz, 720, Casa Branca, Santo André) ou na Força Sindical (Rua Galvão Bueno, 782, 9.º andar).As 12 concorrentes de amanhã são: Bela, Doida e Distraída (Zé Renato), Mais Bonito (Sueli Corrêa e Celia Vaz), Necessidade Básica (Nelson Lemos), Terra à Vista (Marco André e Alfredo Oliveira), Valsa em Se (Carlos Henry), Bigamia (Alexandre Lemos e Alfredo Karam), Moleque Tinhoso (Ivan Cardoso), Pára-Quedas (Guerá Fernandes e Denise Reis), Antinome (Chico César), Minha Terra (Paulo César), Tube Bem Meu Bem (Ricardo Soares) e Quando Dorme Alcâncatara (Tião Carvalho).Dirigido por Roberto Talma, o festival terá ainda mais uma eliminatória e uma final. As 48 músicas classificadas, escolhidas entre as quase 24 mil inscritas, serão lançadas em quatro discos pela Som Livre. As 12 finalistas serão reunidas num CD. Os três primeiros colocados, o melhor intérprete e o ganhador de um Prêmio Especial do Júri vão dividir o prêmio de R$ 1 milhão.

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