João Caldas
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Festival Concertos na Serra reúne música de câmara em igreja centenária de Jundiaí

Dirigido por Carla Candiotto e Claudia Feres, evento online será realizado, de 11 a 21 de março, na Serra do Japi; confira o vídeo

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 20h00

Amigas de infância, a diretora de teatro infantil Carla Candiotto e a maestrina Claudia Feres reforçam esse laço ao estarem à frente de um novo projeto que une música, teatro e natureza. Trata-se do Festival Concertos na Serra, que será realizado desta quinta, 11, até o dia 21, com apresentações no interior da centenária Igreja Santa Clara, datada de 1917 e tombada pelo Patrimônio Histórico, que fica em ponto de destaque na Serra do Japi, em Jundiaí. Seguindo todos os protocolos exigidos para esse momento de pandemia, evento será feito de forma digital, com a transmissão gratuita pelo canal no YouTube criado para o festival, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 17h. O evento comemora ainda os 50 anos da Escola de Música de Jundiaí, criada pela professora Josette Feres. 

Junto com Carla e Claudia, integram a equipe organizadora o ator e diretor Rodrigo Matheus e o músico Fabio Vianna, que será o responsável pela concerto de abertura. O lugar escolhido para o evento está dentro da Serra do Japi, com o que a natureza tem de mais belo e precioso. Assim, nada melhor que mostrar essa conexão com o meio ambiente, a música e o sagrado. “Um drone vai exibir todo o lugar, viajar pela serra e descer até a igreja. Aí, a porta se abre e começa o concerto”, explica Carla. 

Nesta primeira apresentação, Vianna, que é cantor do Coro da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), mostra seu trabalho Cantar Camões, criado a partir de poemas do escritor português. “Fabio faz um trabalho de música antiga – ele toca a vihuela, um instrumento antigo que lembra um pouco a viola caipira”, explica Claudia Feres. E, entre uma música e outra, o ator Roney Facchini fará a leitura de sonetos e outros poemas de Camões. Responsável pela arte cênica, Carla diz que posicionou cada um deles em um canto da igreja. “Aos poucos, o Roney vai se aproximar, mas com o cuidado de não chegar muito perto”, diz a diretora. Ela frisa que o cuidado com o distanciamento foi mantido em toda a equipe. “Queremos proporcionar bons momentos para os que estão em casa, afinal essa é nossa função de artista, possibilitar que as pessoas que estão assistindo façam uma viagem pessoal com o que estão ouvindo”, frisa. “Temos de fazer nessa pandemia algo assim para que as pessoas fiquem em casa.”

Claudia Feres também coloca a questão dos cuidados impostos pela covid-19 e afirma que se trata de algo que assusta muito, mas ressalta a importância de se manter em atividade. “Tivemos que antecipar o horário e planejar o evento sem presença de público, nem mesmo convidados serão possíveis no local”, conta. Ela destaca também como foi interessante integrar os concertos de câmara ao teatro. “Geralmente, esses receitais não têm esse olhar do teatro que a Carla está colocando, é uma bela novidade no cenário da música.”

Como exige o momento, os recitais dentro da igreja terão formato intimista, com músicos se apresentando sozinhos ou em duplas e trios, seguindo a formação de música de câmara. Segundo a maestrina, a intenção foi selecionar profissionais que pudessem revelar para o público o amor pela música, além de ter conexão com o espaço. “Temos a música de concerto, de recital, e um pouco essa relação com o lugar, com a música rural”, conta a maestrina. Ela explica que sua intenção, na difícil hora da escolha dos profissionais, foi colocar nesse ambiente sacro obras de compositores clássicos e também os acordes da cultura popular. 

 

Viola caipira

“Temos o Neymar Dias, que toca Bach na viola caipira, um trabalho bem bacana desenvolvido por ele, que se apresenta no sábado, 13, com o violista Gabriel Marin”, revela. Essa será uma forma, como conta Claudia, de brincar com esses instrumentos, a viola caipira e a concerto, colocando lado a lado na live “o violeiro e o violista”. Tal sonoridade mais de raiz poderá ser conferida no último recital, que terá João Paulo Amaral, no dia 21. O pesquisador e compositor levará ao público repertório escolhido especialmente para tocar com sua viola caipira. 

Na sequência das lives, na sexta, 12, o Duo Bico de Pena, formado por Renato Camargo (flauta) e Angelique Camargo (violoncelo), vai interpretar um repertório variado, com músicas como O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco / Aldir Blanc), Noites Cariocas (Jacob do Bandolim), Bachianas Brasileiras No. 1 (Villa-Lobos), Valsa Brasileira (Edu Lobo / Chico Buarque), além de composições próprias. A violoncelista de Jundiaí Heloisa Meireles é a atração do domingo, 14, e reúne obras de Bach, Francisco Mignone, György Ligeti. E, na semana de encerramento, estão programadas apresentações dos músicos Mayra Pezzutti (violino), Renato Bandel (viola) e Denise Ferrari (violoncelo), que formam o Trio Madera, no dia 18, e que interpretarão canções de Astor Piazzolla, Mozart, Bach e Tchaikovski. No dia 19, Livia Lanfranchi (flauta) e Alessandro Santoro (cravo), que tocam Louis Couperin, Jean-Marie Leclair, Domenico Scarlatti e outros; no dia 20, tem Pedro Dellarole (violino) e Jennifer Campbell (harpa), que trazem no programa composições de nomes como Erik Satie, Claude Debussy, Maurice Ravel. 

Com sérias intenções de não parar nesse primeiro evento cultural, tanto Carla quanto Claudia revelam pensar em novos projetos para ocupar essa área, que integra o recém-criado Espaço Japi – Cultura e Meio Ambiente. “Eu fui batizada nessa igreja”, revela a diretora cênica. Carla conta que esse local faz parte da sua vida, que passou férias ali com a família e que os pais ainda moram na região. E foi por isso que teve a ideia de realizar o evento, contando, assim, com a disposição da amiga e de outros parceiros. “Começamos a conversar sobre um possível encontro, pois a igreja tem uma acústica maravilhosa, que serve perfeitamente para a realização de concertos de câmara”, conta.

Já a filha da musicista Josette Feres, nome de destaque em Jundiaí e que foi aluna de Villa-Lobos, Claudia avalia que o festival “é mais uma caixinha de joias de cultura que preserva a música de qualidade”. Segunda a maestrina, esse tipo de evento é necessário e faz muito bem para as pessoas. “Eu já quero fazer outros festivais com outros formatos, com masterclasses para jovens. Eu me interesso muito em fazer o link do profissional com o jovem.”

PROGRAMAÇÃO

Quinta, 11

Fabio Vianna, com participação do ator Roney Facchini

Sexta, 12

Duo Bico de Pena – Renato Camargo (flauta) e Angelique Camargo (violoncelo)

Sábado, 13

Gabriel Marin (viola) e Neymar Dias (viola caipira)

Domingo, 14

Heloisa Meirelles (violoncelo)

Quinta, 18

Trio Madera – Mayra Pezzutti (violino), Renato Bandel (viola) e Denise Ferrari (violoncelo)

Sexta, 19

Duo Lanfranchi-Santoro – Livia Lanfranchi (flauta) e Alessandro Santoro (cravo)

Sábado, 20

Duo Della & Campbell – Pedro Dellarole (violino) e Jennifer Campbell (harpa)

Domingo, 21

João Paulo Amaral (viola caipira)

De quinta a sábado, às 20h e domingo, às 17h. Grátis. A transmissão será feita pelo canal do festival no YouTube

 

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