Festival Campari Rock reúne mais de 20 bandas

Mais de 20 bandas e DJs tomam a Lapa hoje à noite, no primeiro Campari Rock, deslocando o eixo da "Música pra Pular" de Moema e da zona sul para a zona oeste de São Paulo. E o deslocamento não será só geográfico: grupos históricos, como o MC5, emparelham guitarras com novíssimos, como a banda neofolk sueca Dungen e o duo The Kills, todos unidos pelo mesmo espírito independente, um som inclassificável e uma atitude despojada. Do Brasil, subirão ao palco 13 bandas emergentes, entre elas os Irmãos Rocha, Los Pirata, Forgotten Boys e Cansei de Ser Sexy. Segundo a organização, ainda há ingressos para todos os shows - quem deixou para a última hora pode comprar nos portões 3 e 4 do estacionamento do Ceagesp (Av. Gastão Vidigal). Liderada pelo introspectivo Gustav Ejstes, o grupo sueco Dungen concentra o conceito do festival: inspira-se num tipo de música que não foi massiva em sua época, não moveu multidões, mas influenciou barbaramente as gerações seguintes. No caso, o folk psicodélico acústico que Ejstes desencavou nas coleções do pai, no pequeno povoado de Lanna, em Vastergotland, Suécia, e em sebos europeus. Uma música que não vai vender como o Red Hot Chili Peppers, nem vai lotar o sambódromo do Anhembi e esgotar o estoque de camisetas promocionais. "A mensagem que nós pregávamos nos anos 70 era não copiar, criar a nossa própria voz. Ser como Picasso, não como Renoir", disse ao Estado o guitarrista Wayne Kramer, de 57 anos, o vovô dessa programação. Kramer é o líder do grupo MC5, grupo de guerrilla-rock que voltou à ativa após 30 anos - e, não por acaso, foi um dos mais respeitados da história. "Nos anos 60, eu vi um filme que se passava no Rio de Janeiro, Orfeu Negro. Desde então, sonho em conhecer sua terra, que eu espero seja muito diferente de qualquer lugar em que já estivemos", disse o guitarrista Kramer. Para Kramer, mais do que uma banda-trampolim para o punk rock que veio a seguir, o MC5 espelhou-se no jazz - não por acaso, uma de suas turnês recentes foi acompanhando a anárquica Sun Ra Arkestra, no Central Park. "Aprendemos nosso caminho com John Coltrane, Charles Mingus, Ornette Coleman. O jazz pega uma linha musical e a estende. É um jeito cool de se expressar na música. Hoje, o rock´n´roll passou a ser uma rotina, e tudo o que nós nunca quisemos foi cair na rotina." A dupla franco-americana Berg Sans Nipple é outra que pode fazer surpresa no festival. "Nós somos influenciados por muita coisa: hip hop, dub, música africana, brasileira, rock. A mistura é que pode trazer alguma originalidade, mas não nos prendemos ao passado", disse ao Estado Shane Aspegren, metade americana da dupla, fã de Mutantes, Tom Zé e Caetano Veloso. Embora com apenas um disco e três compilações no currículo, o Berg Sans Nipple já gravou com o Ambulance e com Bright Eyes, novo "Dylan" da música americana. A dupla bluesy punk The Kills, formada por Jamie Hince (conhecido como Hotel) e Alison Mosshart (W), esgrime um anti-romantismo blasé, posudo, sedutor, como mostra sua canção Love Is a Deserter. "As pessoas falam sobre o amor como a coisa mais importante do mundo e isso acaba ficando superestimado. Quanto mais você ama algo, quanto mais você se agarra a isso, mais niilista você se torna. Mas a paixão é algo que te orienta, que está sempre na parada", disse o guitarrista Hotel à NME.Fábrica da Lapa - (4.000 pessoas). Av. Mofarrej, 1267, Lapa. Hoje, a partir das 20h e amanhã, a partir das 17h. R$ 60 (hoje) e R$ 70 (amanhã). Ingressos: 6846-6000

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